Quinta-feira, Maio 14, 2009

Mudança de regras na poupança

É como eu escrevi neste post de 2007: poupança sempre foi um investimento imerecidamente marginalizado. Agora chegamos à era dos juros baixos e a poupança tal como a conhecemos vai desaparecer.

E isto é perfeitamente esperado e normal; não há nada de "confisco" nas últimas medidas do governo em relação à poupança. É insustentável manter uma aplicação que renda 6% mais inflação ao ano se a taxa-base de juros vai cair para um dígito a qualquer momento.

Naturalmente, o governo tem seus próprios interesses, do contrário não correria este risco eleitoral logo agora. Toda essa conversa que "os grandes especuladores prejudicam a poupança" é balela. Mais dinheiro na poupança significaria mais dinheiro para financiar habitação, e como disse Jorge Amado, dinheiro não tem cor nem cheiro. O problema da poupança é que o dinheiro tem de ser obrigatoriamente investido em determinados tipos de crédito, entre eles habitação. Já o dinheiro dos fundos de investimento rola a dívida pública federal.

A reforma da poupança acabou saindo "light" e pela metade: apenas depósitos acima de R$ 50 mil vão pagar IR, o IR tem patamares de diminuição se porventura a taxa-base de juros voltar a subir. Isto mantém a poupança como uma excelente alternativa para começar a formar um pé-de-meia. Quem já tem mais que 50 mil certamente achará aplicações melhores para o excedente.

O negócio é continuar aproveitando enquanto o resto da reforma da poupança não vem -- o que certamente acontecerá, provavelmente no início do próximo governo.

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Troca de comando no Banco do Brasil

Na penúltima Revista VEJA, o Mailson da Nóbrega disse que era hora de privatizar o Banco do Brasil, porque, entre outros motivos a recente troca de comando com a intenção de baixar os juros cobrados pelo BB no varejo tinha cheiro de jogada eleitoral.

Eu *normalmente* concordaria com o Maílson. Quem sou eu para discordar dele? Além do mais, simpatizo com ele, já o conheci pessoalmente. Mas neste caso acho que ele está errado. Sou mais o que o Peter Lynch prega: ouça a voz das ruas. Explico:

No início deste ano, eu comentei com meu pai que estava pensando em abrir uma conta no BB. Meu pai tem conta lá há um milhão de anos, gosta do serviço, e tem agências em todo lugar. O BESC foi comprado pelo BB, então isto significa que agora tem agência do BB a uma distância à pé da minha casa. Ademais, acho que o Itaú cobra juros e taxas muito altos, e estava a fim de "votar com minha carteira" a este respeito. Finalmente, quem lê este blog sabe que não ponho fé no futuro a longo prazo dos bancos privados.

Sabe qual foi a resposta do meu pai? "Fica no Itaú mesmo, o juro do cheque especial do BB tá 1% mais alto que no Itaú. E o Itaú abate tarifas quando você tem investimentos nele, enquanto o BB não..."

Pensei comigo... what the fuck? O mundo tá de cabeça pra baixo. Juros maiores no BB que no Itaú, sendo que o BB tem muito mais fontes de dinheiro barato?

Sendo assim, parece-me que a decisão de trocar o comando do BB é totalmente acertada.

E o BB fará bem em cobrar juros menores que os bancos privados; tendo mais dinheiro barato, faz sentido cobrar menos na outra ponta, e vai lucrar o mesmo que os demais. Não vai ser a hecatombe de inadimplência que alguns estão prevendo; o BB não vai fazer cheque especial a 1% ao mês. Vai cobrar 6, 6,5% onde os demais cobram 7%.

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Ganho de capital na HP-12C

O nosso amigo Rossam Souza da Silva, da UEPB, mandou um programa para a HP-12C para facilitar o cálculo de ganhos de capital. O texto do programa, mais explicações, está aqui..

Quarta-feira, Abril 01, 2009

A crise de energia da Califórnia

Como dizia minha mãe, "vergonha é roubar e não conseguir carregar". Esta frase condensa lindamente o que aconteceu na crise de energia da Califórnia entre os anos 2000 e 2001.

Também existe todo um folclore em torno deste episódio, e diversas informações na consciência do público são falsas ou distorcidas (o artigo da Wikipedia sobre a crise é particularmente ruim.) Assim, é interessante comentar a história. Minha fonte é o livro "The smartest guys in the room", que conta magistralmente a história da Enron e deveria ser lido por todo investidor.

Concessões de serviços públicos são indústrias sonolentas, com receitas praticamente fixas, lucros bons e estáveis. O ponto alto delas é o expertise técnico do produto que distribuem, como energia elétrica e água -- expertise que não se encontra no mercado, a preço nenhum. Financeiramente falando, tais empresas são quase sempre ineficientes e resistentes à mudança; e devido à natureza do serviço prestado, sempre têm muita influência política.

Nos anos 90, a euforia neoliberal mirou nestas indústrias e começou a pressão pela desregulamentação, em particular do setor de energia elétrica. Mas as concessionárias resistiram e colocaram seu lobby em campo, de modo que mesmo nos EUA foi muito difícil conseguir que algum estado desregulamentasse a energia.

Até que a Califórnia decidiu fazê-lo. Um estado à frente dos outros, um grande mercado (a Califórnia seria sozinha o sétimo país mais rico do mundo), e muito dependente de energia "importada" de estados vizinhos. Alguns aspectos dessa desregulamentação importantes no entendimento da crise:

* A desregulamentação foi feita apenas no mercado a atacado de energia. Os preços ao consumidor continuariam controlados por cinco anos, o que caracteriza uma desregulamentação parcial;

* Empresas e grandes consumidores estariam sujeitos aos preços de atacado.

* As distribuidoras de energia não poderiam produzir energia, sendo forçadas a vender suas usinas. (Algo semelhante foi feito no Brasil na mesma época.)

* Como esperava-se que o preço da energia por atacado cairia muito, esperava-se que as distribuidoras tivessem muito lucro com os preços de venda a varejo controlados. Uma vez que este lucro ultrapassasse um certo volume, os preços a varejo seriam também desregulamentados. Isto chegou a acontecer na cidade de San Diego.

* As distribuidoras de energia não poderiam comprar energia por meio de contratos de longo prazo com as geradoras; precisariam comprar diariamente sua energia no mercado aberto. A idéia era manter as geradoras em permanente estado de tensão, o que faria baixar os preços.

* O mercado futuro de energia continuava existindo, e qualquer participante poderia comprar, ou vender a descoberto, energia futura. Exceto os destinatários finais, ou seja, as distribuidoras.

* O estado da Califórnia criou uma agência (ISO) para fiscalizar o sistema e, se necessário, fazer compras emergencias de energia para cobrir a demanda.

* As regras desse mercado parcialmente desregulamentado eram extremamente intrincadas, de modo a fechar muitas "falhas" através das quais alguém poderia manipular o mercado. Mas o excesso de regras acabou criando falhas novas, embora não óbvias num primeiro momento.

A Enron estava bem posicionada para tirar partido deste processo, pois tinha comprado uma geradora (Portland General) e era a dona do sistema Enron Online, o primeiro pregão eletrônico para gás e energia elétrica. Além disso, possuia uma grande equipe de traders capacitados, que já ganhavam um bom dinheiro especulando nestes mercados.

De início, a desregulamentação funcionou bem; os preços da energia a atacado despencaram. Então começou o pesadelo: os preços de atacado da energia começaram a subir cada vez mais, atingindo por vezes patamares absurdos como US$ 750 o megawatt/hora. (Para se ter uma idéia do absurdo, esta energia equivale a 400 litros de diesel, que custam, hoje, no Brasil, no posto da esquina, apenas US$ 260)

A compra de energia em cima da hora, que deveria ser instrumento de pressão em cima das geradoras, acabou virando pressão em cima do lado comprador, ou seja, das distribuidoras e da agência ISO. Ambas tinham a obrigação de fechar a demanda, pagando o que as geradoras estivessem pedindo.

Para agravar ainda mais a situação, de vez em quando uma geradora desligava-se para manutenção, aumentando ainda mais a escassez. Houve momentos em que 25% das geradoras estavam fora do ar. A Califórnia tinha então de "importar" energia de estados vizinhos, porém esta energia de fora não estava sujeita a nenhum limite de preço (nem mesmo o teto de US$ 750/MW imposto para as geradoras californianas quando os preços dispararam pela 1a vez.)

A agência ISO tinha de intervir cada vez mais freqüentemente, comprando energia a preços estratosféricos para manter a grade funcionando, e esta despesa era do Estado da Califórnia.

Como a Califórnia tinha uma certa escassez de energia, pensou-se a princípio que a escalada de preços fosse devida a isto. Porém, com o tempo, começou a ficar claro que muito daquilo era manipulação de preços no mercado aberto. Mas como, se as regras eram tão elaboradas?

Os traders de diversas empresas participantes do mercado, como a Enron, descobriram truques que as regras não impediam, e eram difíceis de detectar. Por exemplo:

* Agendar propositadamente transmissão de energia por uma linha já ocupada por outras transmissões. A distribuidora contava com aquela energia mas descobria no último minuto que ela não poderia ser entregue. Isto forçava a contratação emergencial de outra linha, o que custava mais caro, remunerando mais o dono da linha.

* Agendar energia gerada na Califórnia para a grade de outro estado, causando escassez local, forçando a compra da energia "importada" para cobrir o furo. Mas no fim das contas, tecnicamente falando, o suprimento era fornecido pela própria geradora local.

A maioria destas fraudes não podia ser cometida por um participante isolado no mercado; era necessário o conluio de pelo menos dois. Isto desfaz o mito de que a Enron foi "a grande culpada" pela crise. Todas as grandes empresas de energia descobriram os furos na legislação, trocaram figurinhas e finalmente se coordenaram para manipular o mercado.

Curiosamente, a manipulação do mercado rendia, por si só, pouco dinheiro, e desse butim a Enron ganhou menos que as outras (a campeã foi a Dynergy, ao que se sabe). O dinheiro realmente graúdo foi ganho por aqueles que estavam "comprados", ou seja, apostando que o preço da energia elétrica ia subir. Neste tipo de operação, a Enron ganhou muito: US$ 2,2 bilhões. Este dinheiro foi ganho "honestamente", por assim dizer, mas é verdade também que nunca teria acontecido sem a manipulação de mercado subjacente.

Apesar dos problemas, tanto o governo quanto as empresas prosseguiram defendendo a desregulamentação. Naturalmente, os políticos não queriam admitir tão facilmente que tinham feito uma legislação tão furada, e empresas como Enron e Dynergy possuíam agora o poder do lobby.

Como as distribuidoras de energia elétrica cobravam tarifas controladas mas tinham de pagar preços exorbitantes no atacado, e não podiam deixar de fornecer o serviço, uma a uma entraram com pedidos de falência.

Nos últimos estertotes, algumas distribuidoras desligavam a energia de um bairro, depois do outro, de forma rotativa, tentando diminuir o consumo total e assim o volume de compra no atacado. Outras pediam para os usuários desligarem até as luzes das árvores de Natal. Como as tarifas ao consumidor continuavam no mesmo patamar, os consumidores não tinham incentivo real para economizar energia.

Em San Diego, a distribuidora local tinha conseguido lucrar o suficiente com o novo esquema a ponto ter os preços ao consumidor liberados. Como resultado, os consumidores daquela cidade começaram a receber contas em média quatro vezes mais altas do que a média histórica. Pequenas empresas começaram a fechar simplesmente por não ter como pagar a conta de luz.

Nos EUA, boa parte da energia é gerada por termelétricas, muitas movidas a gás natural. Quase todas as empresas envolvidas com energia elétrica (Enron, Dynergy) começaram na vida como empresas de gás natural. Assim, a manipulação de mercados estendeu-se ao gás natural, fazendo o preço deste subir e encarecendo ainda mais a energia elétrica.

Naturalmente, a população começou a ficar cada vez mais irritada e começou a protestar. Demorou, mas os políticos sentiram que a coisa não podia continuar como estava. No início de 2001, um decreto obrigou as geradoras a vender energia por preços tabelados. Em pouco tempo, tudo estava nos eixos novamente.

A desregulamentação foi considerada um fracasso. O caso foi discutido de todos os ângulos; alguns afirmaram que a grade de energia elétrica é um sistema monolítico, sobre o qual não faz sentido implementar um mercado livre. Na esteira deste caso, descobriram que o mercado livre de energia em Washington fazia os elétrons ficarem "girando" no anel de linhas em torno da cidade até dissiparem-se na forma de calor.

Na mesma época, começaram os problemas da Enron, devido à sua frágil estrutura de financiamento, baseada na premissa de que suas ações nunca cairiam muito. Mas veio a bolha ponto-com, as ações caíram, e a Enron foi riscada do mapa antes do fim de 2001. A coincidência temporal colou a crise de energia à imagem e a história da Enron, eleita o grande Judas dos californianos.

POST MORTEM

Mas como poderia a Enron falir tão de repente, se ela lucrou 2,2 bilhões de dólares apenas negociando energia, fora o que ganhou negociando gás?

Ocorre que a Enron "roubou" mas não "carregou": como foi dito, as distribuidoras de energia faliram quase todas... e o crédito da Enron está preso até hoje dentro dos processos de falência e concordata destas empresas. E com o escândalo público da crise de energia, é claro que essas distribuidoras vão tentar anular estas dívidas. Nem os credores da massa falida da Enron vão ver essa grana.

E outra parte desse lucrão foi aniquilado dentro da própria Enron, ainda antes da falência. A Enron tinha uma *segunda* mesa de negociação de energia e gás, separada da mesa principal por conta de uma guerrinha de poder. Esta segunda mesa apostou que a energia ia *cair* de preço! (Não parece uma piada?) Resultado: perdas de US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão,

Quanto às empresas que não faliram, como a Dynergy, trataram logo de entrar em acordo com a justiça da Califórnia e devolveram boa parte dos lucros obtidos no mercado de energia, mesmo a parte "honesta", já que a alternativa seria um desgastante e perdido julgamento.

Ainda no início da crise, e dentro da Enron, muita gente profeticamente criticou as manipulações de mercado feitas pelos traders. A Califórnia tinha de ser o "garoto-propaganda" da desregulamentação; todos os demais estados estavam observando os acontecimentos.

Quando a Enron faliu, os traders de energia a atacado acharam que iam ser contratados a peso de ouro por alguma empresa de energia ou corretora, já que eram o único setor da Enron que dava lucro. Mas isto não aconteceu, e não foi por causa da intervenção estatal no mercado de energia. Os traders, na sua ganância, destruíram o mercado que tinham trabalhado muito para construir, e assim também destruíram seu próprio emprego.

Rapidão: produto = renda

Esses dias passou uma reportagem sobre o problema do alto custo dos gêneros, paradoxalmente em rincões com baixíssimo poder aquisitivo, notoriamente no interior do Nordeste e no Centro-Oeste. Lugares onde o Bolsa-Família é a principal fonte de renda da população economicamente ativa, mas um litro de gasolina custa 4 reais, e um quilo de tomates custa 7. Como é que pode isso?

Lembrei das aparentemente inúteis aulas de Economia da faculdade, onde o professor falava que produto é sempre igual à renda. Qualquer tentativa de negar esta igualdade é fadada ao fracasso. Não adianta despejar dinheiro de um helicóptero num lugarejo pobre; é preciso estimular que se produza algo ali. Do contrário, a única consequência é a inflação.

Assim, quando alguém critica o Bolsa-Família por desacompanhado de outras ações, pense duas vezes antes de julgar esse alguém de sem coração, nazista, neoliberal, etc. Renda mínima é bom e eu gosto, porém é preciso que "o cara ao lado" produza alguma coisa para que a renda seja bem gasta.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Obsolescência dos bancos: 2 minutes to midnight

Até agora, o que falamos no artigo sobre a obsolescência dos bancos tem se confirmado. Desde julho do ano passado, diversos bancos e seguradoras quebraram e/ou foram estatizadas no mundo desenvolvido. Bancos sobrevivem de juros, juros são uma coisa em extinção, logo...

Um aspecto que tem me intrigado nesta história toda, é o papel da taxa-base de juros da economia. A taxa-base, aquela que o COPOM altera quase todo mês e todo mundo presta atenção, é simplesmente a taxa que o governo aceita pagar pelo dinheiro que toma emprestado. Como o governo é a entidade mais segura de um país em termos de solvabilidade, todo mundo vai automaticamente pagar um juro maior que este, daí o nome taxa-base.

Aí um dos comentários do artigo mencionado acima foi: e se o governo parar de tomar emprestado, o que acontece com os juros? Na época eu não tive uma resposta convincente para isto; parecia inconcebível um governo não ter dívidas e rolá-las continuamente. Mas, com os juros chegando a zero nos países desenvolvidos, títulos da dívida pública são praticamente a mesma coisa que cédulas de dinheiro (talvez com a diferença que títulos da dívida possam ter valores de face muito maiores, então volta a ser possível carregar um bilhão de dólares numa maletinha 007).

Também houve um outro comentário, no qual alegou-se que os bancos não iam desaparecer porque é do interesse do governo que permaneçam. De fato, se o governo é um eterno tomador de empréstimos, os bancos são engrenagens essenciais no refinanciamento do governo. Os governos impedem a quebra dos bancos não porque são bonzinhos ou porque querem evitar problemas aos depositantes. É por interesse próprio mesmo. E neste caso o caminho natural é a simbiose -- na forma da estatização dos bancos na medida que eles deixam de ser negócios viáveis.

O contrário tambem é verdadeiro: os bancos dependem dos governos, ou mais especificamente, da taxa-base de juros que ele paga. O Brasil deve ter os poucos bancos realmente saudáveis que restam no mundo -- porque o governo paga juros altíssimos pela sua dívida. Um belo dia isso vai acabar, como já acabou no mundo desenvolvido, e aí como ficarão os bancos sem esse referencial emburrecedor e sem esse tomador de capacidade infinita onde se pode enfiar todo o dinheiro ocioso?

Eles têm duas opções: voltar aos dias de J. P. Morgan, onde os bancos eram efetivamente os reguladores da economia e o governo era "apenas mais um" tomador de empréstimos, com avaliação de risco pior do que os grandes conglomerados privados. (Até no Brasil, o faturamento do Barão de Mauá era maior do que o orçamento do Império). A outra opção é os bancos minguarem e desaparecerem. Acredito totalmente na segunda alternativa.

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

TaxMan, a calculadora de impostos sobre operações na Bolsa

Depois de muito tempo sem lançar um "brinquedo" novo, temos novidades: o TaxMan, uma calculadora de impostos sobre operações na Bolsa.

A ideia do aplicativo é facilitar o cálculo de lucros, prejuízos e tributos a pagar sobre um histórico de operações na Bolsa. Por enquanto, operações com ações e opções são diretamente suportadas, embora teoricamente possa-se inserir operações com qualquer outro ativo. Basta inserir as operações e dar uma olhada nas demais páginas.

A página "processamento" mostra os lançamentos com as anotações do sistema. É onde aparecem os tributos a pagar. Já a "posição atual" mostra quantidade de cada papel que você possui hoje, de acordo com o que o sistema deduziu a partir das operações.

O TaxMan prevê daytrading (e a taxa de 20%), a isenção para vendas de ações até 20 mil no mês, etc. O software ainda está em teste, então podem haver problemas, e pedimos que qualquer problema encontrado seja reportado a nós.

Nada é transmitido via Internet. Todos os cálculos bem como o armazenamento são feitos localmente. Assim não há o que temer a respeito da privacidade e segurança das informações financeiras. Na verdade, se você perder sua pasta de usuário ou trocar de browser, vai perder o que digitou. Para evitar isto, você deve salvar uma cópia de vez em quando num arquivo-texto, usando o link "salvar cópia".

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Cálculo de margem: exemplo real

Conforme eu tinha prometido, deixei o meu na reta para descobrir quando iam pedir de margem para um lançamento não coberto de opções.

Os dados são os seguintes: opção lancada VALEC30, vencimento 16/3, chamada de margem foi de R$ 6,25 por unidade. (Seu valor neste momento é de aproximadamente R$ 2, o que confirma regra grosseira de margem = 3 vezes valor da opção).

Agora, vamos descobrir com que intervalo de confiança a CBLC calcula a margem. No outro post, estimamos o cálculo de margem com a seguinte fórmula:

margem = (valor da ação) * (delta da opção) * (volatilidade anual) * (sigmas) / 13.51

Então, como VALE5 fechou em 29,70 ontem, e VALEC30 é aproximadamente ATM e a volatilidade histórica de VALE5 é 48,7%,

6,25 = 29,70 * 0,50 * 0.487 * sigmas / 13.51

sigmas = 5,879

O que significa que a margem vai ser suficiente para 2 dias de mercado desfavorável em mais de 99,9999% das vezes. Se existisse CBLC nos EUA, não teria havido crise de subprime :)

De acordo com a "desigualdade de Chebyshev", mesmo que a distribuição dos rendimentos de uma ação não seja normal (como de fato não é), ainda assim o o intervalo de confiança de 6 sigmas é de, no mínimo absoluto, 97%. A confiança "real" da nossa margem então fica em algum lugar entre 97% e 99,9999%.

A desigualdade de Chebyshev basicamente afirma que qualquer distribuição tem intervalos de confiança mínimos (75% para sigma-2, 89% para sigma-3 e assim por diante). Desde é claro que a distribuição em questão possua um desvio-padrão. Os intervalos de confiança de uma distribução normal são bem maiores do que estes mínimos.