Saturday, August 9, 2008

Rapidinhas

Tive o desprazer de passar no aeroporto do Galeão (RJ), na ida e na volta da viagem Joinville-Recife. É seguramente o aeroporto mais feio do Brasil, e olha que a disputa é feroz (os aeroportos de Brasília, Salvador e SP/Guarulhos sempre me pareceram horríveis -- até eu conhecer o Galeão).

Além da breguice anos 70 e da claustrofobia natural de prédios antigos, é patente a falta de zelo: cheiro de mofo, tetos falsos quebrados e escuros de sujeira, vidros cheios de nódoas e maresia. O mau atendimento nos cafés e o assédio dos taxistas no desembarque (é preciso ir praticamente até fora do aeroporto para reembarcar na conexão!) completam o quadro.

Talvez o RJ seja o maior destino turístico do Brasil; imagino a boa impressão que um aeroporto destes passa ao turista estrangeiro. Seria melhor colocar logo um neon bem grande, escrito CAVEAT EMPTOR no alto da torre.

Pensei em tirar fotos disso tudo na ida, mas a conexão era muito rápida e não deu tempo. Mas teve uma coisa que fui obrigado a fotografar, no ônibus que levou a gente até o avião:



Repare na perfeita tradução da frase para o inglês :)

Muitas escalas em SP voltaram a ser feitas em Congonhas, exatamente como era antes do acidente (como era previsível, todo esse auê de descentralização da aviação era pra inglês ver). Mas, fora o medo da pista curta, prefiro estar aqui que em Guarulhos, pois estrutura física de Congonhas está como deve ser: bonita, moderna, e LIMPA.

E o Gerador de Repartições Públicas Tabajara continua trabalhando ferozmente. Até ontem, 1800 novas repartições foram geradas através do site. Desse jeito, o Lula atinge os 10 milhões de empregos rapidinho. Alguns dos melhores nomes gerados:

FUPOGAY - Fundação do Portuário de Campinas (vai ser uma obra e tanto, levar o mar até Campinas)

MEXCAPB - Ministério Extraordinário do Carnaval Carioca da Paraíba

COEDIPI - Comissão dos Excluídos Digitais do Piauí

EMPREPEASC - Embaixada de Preservação do Pescador Artesanal de Santa Catarina (meus amigos do #d00dz vão gostar desta. Note que a escolha do "pescador" com "SC" na mesma frase foi puramente aleatória! Aprendeu rápido o maganão.)

PROREBA - Projeto de Redução de Desigualdades Regionais da Bahia

CENATURPEMASEN - Centro Nacional de Turismo e da Pesca Marinha do Sertão Nordestino (o sertão vai virar mas)

CODSUPE - Comitê de Desenvolvimento Sustentável de Pernambuco (soou perfeitamente factível, com a sigla num tamanho legal e tudo mais)

CADMUSUMERDA - Cadastro Municipal de Sustentabilidade do Menino de Rua de Diadema e Adjacências (eu sabia que existia uma possibilidade desta sigla aparecer, mas não pensei que realmente a veria...)

CADESEMIG - Cadastro de Estudos do Seringueiro de Minas Gerais (vão procurar seringueiras até morrer de fome...)

EMDECABARS - Embaixada Descentralizada de Capacitação dos Atingidos por Barragens do Rio Grande do Sul

PROSOBOPAN - Protocolo de Soberania do Órfão do Pantanal (a sigla daria um bom nome para o próximo remédio contra depressão)

PROPITA - Projeto de Políticas de Inclusão de Taboão da Serra (O ideal seria que esta repartição fosse criada na cidade de Natal :)

CAMDEFOCACAPAPE - Câmara Descentralizadora do Forró e de Capacitação dos Catadores de Papelão de Pernambuco

FUDEINE - Fundação de Demografia do Índio do Nordeste

E é isso aí. Já tem aí o suficiente para empregar as famílias do #d00dz inteiro. Se alguém gerar uma sigla particularmente engraçada, enfie nos Comentários.

Wednesday, August 6, 2008

Gerador de nomes de repartições públicas

Nesta época de eleições, os políticos prometem cargos comissionados para os correligionários, cabides de emprego para parentes e aderentes, e mais concursos públicos para "combater o desemprego". Dinheiro pra isso nunca vai faltar, basta criar mais um imposto ou aumentar algum imposto já existente. Ou emprestar dinheiro e depois botar toca a culpa nos banqueiros e no FMI, não é mesmo?

O grande e quase insolúvel problema, é criar novas repartições públicas que tenham uma sigla interessante, um nome socialmente antenado. POIS SEUS PROBLEMAS ACABARAM! Chegou o repartição pública genereitor Tabajara!. Desenvolvido pela Febeapá Informática, é o único que gera instituições públicas para todos os estados do Brasil!

Repartição pública genereitor. Pequenos estados, grandes negócios!

Monday, July 28, 2008

Favela sob ataque dos marcianos!

É engraçado como, cada vez que se entrevista um favelado, ele faz aquela cara séria, usa aquela voz cerimoniosa, e diz "Pois é, a comunidade tem problemas -- violência, prostituição infantil, tráfigo de drogas...". Como se tais problemas fossem exógenos, como fosse um lugar sitiado por uma nação estrangeira, ou por marcianos que tratam os humanos como uma colônia de cupins.

Enquanto isso, os traficantes da Rocinha vão pastoreando o curral eleitoral para eleger o presidente da associação dos moradores como vereador.

Friday, July 18, 2008

Estudo de plantas médicas indígenas cai na ilegalidade

Saturday, July 12, 2008

STF e Daniel Dantas

Disse Rui Barbosa: "o Supremo é o tribunal com direito a errar por último". Mas os tempos andam tão interessantes que desta vez o STF tratou de errar por primeiro :)

Naturalmente foi uma demonstração de força do Daniel Dantas, já que ele poderia perfeitamente ter cumprido a prisão temporária, de 5 dias no máximo.

A ação da PF sem dúvida teve defeitos, não no conteúdo, mas na forma. Consta que prenderam um "doleiro" de forma consideravelmente truculenta, e no fim o tal "doleiro" não passava de um dentista.

No fundo, todos sabemos que um tipo como o Daniel Dantas nunca cumprirá pena, até porque se isso acontecesse, um monte de "counterparts" políticos como o José Dirceu teriam de fazer o mesmo. Assim, a polícia faz ações espetaculares com o intuito de fazer o alvo passar vergonha, pois esta é toda a punição que ele vai ter. Como o Daniel Dantas é banqueiro, talvez haja também uma perda financeira porque haverá uma fuga de clientes, o que é especialmente problemático para um banco. Uma pena pecuniária é a única que deve realmente "doer" neste cara.

Pode até ser merecido, mas não é esta punição que a lei prescreve para tais crimes. A lei prescreve prisão e multa após trânsito em julgado; não prescreve pelourinho. Como ficam as pessoas que não tem nada a ver com o peixe, mas são atingidas pelos estilhaços do escândalo?

É um dos requícios medievais da nossa sociedade, tão medieval quanto o poder do Daniel Dantas sobre o STF. Punir preventivamente, até com castigos físicos, porque "a Justiça solta". Até no regime militar faziam isso: davam penas leves a terroristas porque tinham sido torturados, e eram torturados porque iam ganhar penas leves e/ou libertados por outros seqüestros.

Já deveria estar claro que esse tipo de talião não resolve nada, mas... enfim, este é o Brasil, e as pessoas não aprendem nunca.

O sintoma e o problema

Agora que descobriram que 200 bebês, e não 40, já tinham morrido naquele hospital do Pará, uma patotinha de senadores resolveu visitar o local.

Como se isso fosse resolver alguma coisa, e como se não houvesse uma hierarquia bem profunda de "otoridades" entre o hospital e a governadora do Pará (hierarquia a que os senadores não pertencem) que deveriam estar fazendo algo para resolver o problema.

A verdade é que os políticos do Pará andaram muito ocupados nos últimos tempos, tentando arrumar jeitos de extorquir a Vale do Rio Doce. Embora eu concorde que a lei de exploração mineral precise urgentemente de atualizações, é notório que o pessoal do Pará só fala disso nos ultimos tempos, como se fosse o único lugar do Brasil onde houvesse minerais.

Até onde sei, todos os Estados têm jazidas minerais de alguma espécie, algumas tão valiosas quanto as do Pará, mas não lembro de nenhum político de e.g. Minas Gerais ficar falando disso em público.

Vou dizer o que vai acontecer quando conseguirem a grana extra da mineração. Vão contratar mais office-boys para a Justiça, a 12.000/mês, vão aumentar os cargos comissionados da Assembléia Legislativa, e a saúde e a educação vão continuar exatamente do mesmo jeito.

Aí basta apelar para as outras técnicas consagradas para esquivar-se das responsabilidades e conseguir mais grana:

* Colocar a culpa no antecessor, coisa que a governadora do PT tem feito o tempo todo. Talvez ela até tenha razão, mas foi ela quem quis ser governadora. As pessoas são pagas para resolver problemas, não para reclamar do funcionário anterior. Se ainda sobrar tempo para choramingar, choramingue num blog :)

* "Somos pobres e precisamos de ajuda do governo federal"

* Colocar a culpa na "imprensa golpista"

* Tentar espetar a conta da preservação da Amazônia nos outros Estados. É claro que isso é só mais uma forma de arrumar grana para contratar inúteis, o sul do Pará vai continuar em chamas como sempre. (Se isso virar moda, talvez e.g o Paraná pudesse cobrar de São Paulo a conta dos anos ambientais de Itaipú, já que a energia de Itaipú é basicamente toda usada para alimentar SP.).

Não admira que, com essas "providências", as coisas não melhorem muito rápido por lá.

Thursday, July 3, 2008

Cotas na universidade pública

O projeto que reserva cotas nas universidades públicas, de 50%, para estudantes egressos da rede pública de ensino andou uma casinha para frente no Congresso.

Tentemos olhar a coisa pelo lado bom. O governo está admitindo da forma mais cabal possível que a educação pública é ruim e não existe solução. Então o jeito é ir mediocrizando as fases seguintes da vida do estudante. Daqui alguns anos, cria-se cotas no serviço público e assim a vida segue no país dos manés.

Outra coisa boa para mim: vai ser mais fácil convencer a muié a deixar o Felix ir para a escola pública (não há escolas particulares aqui onde moro). Compenso a (pretensa) fraqueza da escola com um homeschoolingzinho, e voilà -- universidade pública e gratuita! A não ser que até lá já não tenham criado cotas para burros.

Talvez essas cotas sejam sintoma de que um diploma universitário não valha mais muita coisa hoje em dia. Já que os pobres querem diploma, peguem aí, mas já vamos avisando não vai adiantar muita coisa mesmo... O que conta hoje em dia é ter pós, mestrado ou doutorado. Ou então ser estupidamente bom no que faz.

Do jeito que a coisa anda, com essa tendência de querer criar compensações e contra-compensações para toda e qualquer desigualdade, foi profético aquele argentino que propôs um imposto sobre a beleza, alegando que as pessoas feias tem um handicap inerente. Eu tendo a acreditar que feiúra é mais prejudicial a uma pessoa que burrice, pobreza ou ter sido "forçado" a estudar em escola pública...

Duas perguntas que não querem calar:

1) As cotas para negros são coerentes. Eu não concordo com elas, mas até as compreendo. É uma atitude de desespero para tentar mitigar o grave problema do racismo. O handicap e a compensação têm o mesmo objeto: a cor da pele.

No entanto, a cota para egressos da escola pública é baseada na presunção que tais alunos são pobres e que seu mau desempenho do vestibular seria devido unicamente ao mau trabalho da escola.

2) Muita gente já disse que o problema do aluno pobre não é entrar na universidade, é sustentar-se enquanto estuda nela. Um aluno inteligente, mesmo pobre e egresso da escola pública, passa fácil. Mas inteligência não enche barriga nem paga moradia, se ele não puder trabalhar.

Como este é o país dos manés "di cum força", é claro que este problema, tão ou mais grave que a pretensa desvantagem no vestibular, não é nem de longe abordado neste projeto de lei.