2009/07/25

Retrocomputing, ou bregacomputing

Art. 23. Todo e qualquer computador que entra no território desta República é considerado patrimônio histórico e nunca mais poderá sair, nem ser desligado ou destituído de sua função original, e muito menos desmontado ou ter partes reaproveitadas.

Parágrafo único. Para dar cumprimento total ao artigo, proíbe-se os computadores e softwares de apresentar defeito.

-- Constituição do Chiqueirinho, o "think tank" (haha) do qual originou-se o #d00dz

Em cumprimento a esta lei, não pude recusar a oferta do meu pai: um PC velho. Além do mais, estava sentindo falta de um servidor Linux para fazer algumas brincadeiras sem "poluir" o Mac. Eu poderia rodar o Linux nativamente no Mac, mas... não dá.

Esta máquina é um Pentium IV, 1,7GHz, placa-mãe Asus com chipset SiS, tudão on-board. A única coisa "acima do padrão" para a sua época é a RAM (512MB, que roda o Ubuntu Jaunty confortavelmente).

Para completar, um monitor CRT de 15", que você tem de escolher entre 800x600 a 75Hz, ou estonteantes 1024x768 a 60Hz. Estonteantes no sentido literal! Fora que a curvatura do tubo de imagem é grande mesmo para um CRT. Bruder-compliant.

É incrível como a gente desacostuma rápido. O ruído dos ventiladores da máquina é ensurdecedor. A quantidade de fios na hora de montar a máqiuna também foi assustadora. Ao menos a BIOS é recente o suficiente para funcionar com teclado USB, aí pude usar o teclado do finado Mac Mini. (Teclado e mouse inclusos eram PS/2, Deus me livre!)

Fui olhar o relógio de luz lá fora, está rodando com gosto, em particular quando o monitor está ligado. Uma máquina dessas ligada 24x7 consome algo como 150kWh por mês, ou seja, praticamente dobra a conta de luz de uma família pequena. (Quando os donos de Mac Mini G4 passarem a vendê-los por preços mais racionais no Mercado Livre, provavelmente vou comprar um.)

Para mim esta máquina tem todo o sabor de retrocomputing. Mas pensando melhor, computador com estas características ainda é a "realidade da informática" para muita, muita gente por aí.
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