Esses dias, estando à mesa com alguns estrangeiros, sustentei (minoritariamente) a minha opinião de que os altos índices de violência no Brasil são mais fruto da cultura do que de problemas sociais. Como que para confirmar isto, há esta recente onda de notícias sobre violência contra a mulher -- envolvendo gente que não é pobre, e situações onde a violência não se justifica.
Mas não é de hoje que eu noto isto. Há tempos fico espantado com os números de assassinato de mulheres. Não só das que engravidam e depois chantageiam; mas principalmente de mulheres "normais", incluindo pré-adolescentes, crianças. Como disse o Paulo Maluf, "estupre mas não mate" -- uma frase infeliz no contexto em que foi dita mas que encerra a perplexidade essencial perante essa tupla de crimes que nem a biologia explica.
E nem é só de noticiário que colho este tipo de informação. Ouço coisas estranhíssimas de outras fontes também. Cada vez que a Ana vai conversar com as vizinhas, volta com uma "pérola" dessas. Do cara que encheu a cara no bar e quebrou tudo quando voltou à casa. Do outro que a mulher não tem dinheiro para comprar uma guloseima porque o marido gasta tudo no bar. Da outra que apanhava direto do ex, sendo que a única qualidade do dito cujo era "comer qualquer comida que eu lhe preparasse contanto que não tivesse pele de tomate". E por aí vai.
Claro que rola um "bias" aí, afinal todos os interlocutores são do sexo feminino... mas uma coisa é exagerar, a outra é inventar. Eu vou fazer minha caminhada diária, tá lá uma das "vítimas" da rádio-patroa no bar de novo. Bem, talvez ele vá lá apenas beber Coca-Cola e jogar bocha...
Nessas horas, eu me sinto como se fosse de outra espécie de animal, já que nunca me passa pela cabeça fazer tais coisas. Nem mesmo dou conta de beber uma garrafa de 600ml de cerveja; minha "dose" é aquela garrafinha de 300ml e quando me digno a beber uma, é em casa ou na festa de igreja. *Muita* gente já me disse que "quem não enche a cara não é homem". Em muitos momentos mais "introspectivos" me senti menos homem por não possuir essa cultura, digamos, "sangüínea". E tenho amigos "bananas" que se percebem como "pouco homens" não apenas momentaneamente, mas *continuamente*. Nada bom para o ego e a saúde mental.
Não que eu seja um sujeito especialmente calmo ou paciente. Apenas não vejo sentido no modo de vida "machão". Bem, como eu fiz um filho, tenho certeza de ser macho, geneticamente falando. Só resta então a hipótese da espécie ser diferente. Ao menos não sou o único espécime. Praticamente todo o meu círculo de relações é composto de homens "bananas". Acredito que todos eles acompanhem as notícias com a mesma perplexidade.
Note que não compro a ideia disjunta de "homem mauzinho, mulher boazinha". Por exemplo, mencionei noutro post o traço cultural das mães criarem filhos para serem bons filhos e não para serem bons maridos (o único post meu que a Sulamita elogiou, ever). Como diria a Marina Silva, rola uma transitividade aí. Para cada machão que diz "dentro de casa quem manda sou eu", há um banana que ouve "dentro de casa quem manda sou eu". A falta de mentalidade democrática afeta ambos os sexos, sim senhor.
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É engraçado. Por mais que eu tente, não consigo deixar simpatizar com o goleiro Bruno. Bom filho, bom irmão, bom amigo. Acho que não foi bom marido. Nunca entendi porque esses tipos se casam; parece que precisam agradar à parentada constituindo uma família "normal", e em paralelo mantêm um harém para agradar a si mesmos ou preencher um estereótipo, ou mesmo para agradar a outra metade do círculo de relações. E casamento não combina com harém, não nos dias de hoje.
Naquele último vídeo, feito no avião, que vazou e causou o afastamento das delegadas, perguntaram a ele se tinha feito uma boa poupança (de que ele vai precisar muito nos próximos anos). Ele hesitou bastante, o que obviamente significa que não, e depois respondeu "... é que todo mundo depende de mim", leia-se a família estendida inteira. Aí veio a Eliza, uma brisa que abalou esse equilíbrio delicado.
Afinal, quem de nós está livre de cometer uma burrada e/ou um ato desesperado?