Tenho um problema sério com cadeiras. Acho que tenho uma tendência forte a sentar torto e não colocar os dois pés no chão, de modo que qualquer cadeira menos que perfeita me incomoda e causa dor nas costas.Cadeiras "de rodinha" e com regulagem de altura amplificam o problema, pois tendem a andar quando estico as pernas, e devido a isso acabo usando mal a regulagem de altura: regulo bem alto, com as pernas pendentes, que é a pior forma possível de sentar-se, conforme as costas logo encarregam-se de avisar.
Só consegui me "entender" perfeitamente com duas cadeiras em toda a vida. Uma delas fazia parte do escritório alugado que foi a primeira sede do INDT. Infelizmente, os móveis não nos acompanharam na mudança, e as cadeiras daquiridas para a outra sede eram comparativamente horríveis. Incrivelmente, era uma cadeira de rodinhas, e ainda assim perfeita. Não é de se admirar: ela custa entre 1200 e 1500 reais. Pensei em comprar uma, mas desisti :)
A outra cadeira "perfeita" é a da foto: uma cadeira reta e simples, da extinta Móveis Cimo. Acho que meu pai já comprou esta cadeira num leilão de móveis usados, na empresa onde ele trabalhava. Isso nos anos 1970.
Ela sempre estava num canto da casa, escorraçada para aqui e para ali, até que acabou no meu escritório. Uma cadeira é sempre útil, nem que seja para apoiar um equipamento ou para o gato dormir em cima, e ela foi ficando. Aí devo tê-la usado uma vez ou outra, simplesmente por estar no lugar onde queria sentar naquele momento, e sem perceber acabou tornando-se minha cadeira predileta.
Quando mudei para minha própria casa, implorei a meu pai que me desse uma, do contrário ia ter de morrer com a tal cadeira de 1500 reais supracitada. Das três ou quatro que ele tinha, sobraram apenas duas, mesmo assim ele cedeu-me uma.
Apesar da aparência frágil, ela é bastante resistente e não torce. A madeira deve ser de excelente qualidade pois não tem sinal algum de cupim. A construção da cadeira torna fácil dar manutenção. Apesar de não ter regulagem de altura e não ter almofadas, parece ter altura perfeita e acomoda as costas confortavelmente. (Aquela cadeira do INDT também não tinha almofada no espaldar.)
Tudo bem que coisa boa custa caro, mas é meio ridículo uma cadeira de preço razoável, de 200, 400 ou até 500 reais, como tantas que já comprei, não apresentarem um mínimo de ergonomia. Afinal, basta calcular o formato uma única vez, as medidas do ser humano não mudaram (muito) nos últimos 50 anos, né?
A empresa que produziu a tal cadeira chamava-se (não surpreendentemente) Móveis Cimo, e sua história é bastante conhecida na região. Na cidade de Rio Negrinho, a praça central e a prefeitura foram construídas em torno da chaminé da finada fábrica.
Apesar da tal empresa ter tido o mesmo triste destino que tantos empreendimentos familiares, o pioneirismo dela foi decisivo para que a região de Rio Negrinho e São Bento seja o que é hoje: um pólo moveleiro internacionalmente conhecido. A ergonomia perfeita desta humilde cadeira é um testemunho interessante da importância da Móveis Cimo, e dá uma ideia da potência que ela foi em sua época.