<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<rss xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0"><channel><title>Elvis Pfützenreuter - home page</title><link>http://epx.com.br/</link><atom:link href="http://epx.com.br/rss.xml" type="application/rss+xml" rel="self"></atom:link><description>Latest articles and news from my personal site / Artigos e novidades do meu site pessoal</description><lastBuildDate>Wed, 09 May 2012 20:43:34 GMT</lastBuildDate><generator>PyRSS2Gen-1.0.0</generator><docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs><item><title>Queda dos juros e a mexida na poupança</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/juros.php</link><description type="html">Não deve ser novidade que eu não sou um keynesiano. Para Keynes, poupar
era um ato que tirava dinheiro da economia, portanto era algo ruim. A taxa de
poupança era uma causa direta de desemprego estrutural.

&lt;p&gt;
Desta forma, o keynesiano, se for consistente, advoga uma taxa de juros tão próxima de zero
quanto possível, para estimular o crédito e desestimular o poupador. Também
sou consistente no meu não-keynesianismo e &lt;a href="http://epx.com.br/logbook/archive/2008/10/os-males-dos-juros-baixos-demais.html"&gt;já escrevi sobre os perigos de juros baixos demais&lt;/a&gt; faz bastante tempo.

&lt;p&gt;
Temos quatro fatos recentes (maio de 2012) envolvendo, de alguma forma, taxa de juros:
1) a mexida na remuneração da caderneta de poupanca; 2) a queda rápida na taxa-base de juros;
3) subida do dólar; 4) a "prensa" da Dilma nos bancos para baixar os juros ao consumidor.

&lt;p&gt;
A respeito da poupança, considero a alteração acertadíssima. Quando esta mudança foi
aventada pela primeira vez em 2009 ou 2010, eu a defendi no meu finado blog; infelizmente
apaguei o post em algum ataque de iconoclastia.

&lt;p&gt;
A razão é óbvia, desta vez o governo falou a verdade e o óbvio: se existe uma aplicação
que garante rendimento de 6% ao ano reais, sem impostos, isto vira a taxa-base de juros
de fato. &lt;i&gt;Qualquer investimento&lt;/i&gt; público ou privado se obrigaria a render mais que
isto para ser viável.

&lt;p&gt;Num cenário de juro real tendendo a zero, ficaria muito esquisito.
O dinheiro do mundo todo viria para cá, e os bancos quebrariam se não tivessem meios
de recusar depósitos na poupança, já que estes 6% ao ano têm de ser pagos "na outra ponta",
por quem empresta de fundos vinculados à poupança, e quem seria trouxa de pagar 6% reais ao ano?

&lt;p&gt;
Para ser ainda mais direto, considero poupança e FGTS dois anacronismos financeiros,
que deveriam ser extintos. O primeiro passo foi dado. Me incomodou distinguirem
entre depósitos "velhos" e "novos", mantendo a remuneração antiga para os depósitos
velhos. Sei que há a lembrança do Collor e tal, mas achei meio casuísta.

&lt;p&gt;
A queda rápida da taxa-base de juros naturalmente tem motivação política, mas ela acontece
dentro de um cenário de mercado. Se o mercado aceita comprar títulos da dívida pública
que pagam 8% ao ano, por que pagar 12%? Seria burrice.

&lt;p&gt;
Naturalmente existe o fator de contenção e estimulação do consumo. A economia brasileira
sempre está a perigo de superaquecimento, devido aos problemas estruturais. O Lula soltou
um pouco o crédito em 2010 e os imóveis triplicam de preço... mas não dá pra ficar usando
este remédio amargo para sempre. Em algum momento tem de deixar a coisa correr, para ver
onde estoura, e consertar.

&lt;p&gt;E governo pagando menos juros pode trazer carga tributária menor.
Não é a obsessão do liberal, que o governo gaste menos? Eis um caminho.

&lt;p&gt;
Além do mais, esta taxa de juros é apenas aquela que o governo paga. Todo investidor
é livre para colocar seu dinheiro em ativos que rendam taxas melhores -- só precisa
aceitar correr risco maior que zero.

&lt;p&gt;
A "ponta solta" deste processo de baixa dos juros é nossa baixa taxa de poupança
interna. O dinheiro de fora provavelmente é o que possibilita esta recente baixa rápida
da taxa-base (porque nos EUA os títulos do governo estão pagando juros reais negativos,
e ainda assim eles vendem como pão quente).

&lt;p&gt;Como disse um amigo meu: "Por que eu deveria economizar se todos os governos são
perdulários?" A isto eu acrescento: são perdulários e estão em franca campanha de
estimulação ao consumo e ao endividamento. É keynesianismo na veia. Um dia, vem a
conta. Ainda assim, acho que não há motivos para desespero no momento.

&lt;p&gt;
A subida do dólar é bem-vinda e consequência da queda dos juros. Não acredito tanto
no "tsunami financeiro" da Dilma (é apenas o &lt;i&gt;catchphrase&lt;/i&gt; político du jour) mas
com certeza o juro alto, num mundo com juro zero, faz subir a maré e descer o dólar.

&lt;p&gt;
O dólar desvalorizado é uma causa de distorção nos nossos preços internos.
Não é a única causa, mas é fator importante. Se o dólar estava a 1,50 esses dias, 
e o patamar ideal (na minha opinião) é 2,10, isso dá 40% de diferença. Ajuda a
explicar porque um quilo de tomate está mais caro no Brasil que no Alasca (*).

&lt;p&gt;
A última novidade, a pressão sobre os bancos para baixar o juro ao consumidor, é
um pouco mais complicada. É realmente verdade que estas taxas estão muito altas,
e os bancos não podem reclamar da lucratividade. Além disso, têm tratamento
tributário privilegiado.

&lt;p&gt;
Por outro lado, o banco só pode emprestar o dinheiro que tem no caixa -- dinheiro
que algum poupador ou investidor depositou. Se há pouco dinheiro (lembra da
baixa poupança interna?) e muita procura por crédito, o "preço", ou seja, o juro
ao consumidor, vai subir.

&lt;p&gt;
Do dinheiro que é depositado no banco, o que pode ser emprestado? Não muito.
Uma porcentagem vai para o "depósito compulsório" no Banco Central, uma espécie
de lastro. A taxa de depósito compulsório no Brasil é muito alta (quase 50%),
o que torna nosso sistema bancário muito seguro, mas obviamente sobra menos grana
para emprestar. Parece, não tenho certeza, que o dinheiro retido no Banco Central é remunerado
pela taxa-base de juros.

&lt;p&gt;
O banco pode emprestar livremente os recursos depositados em conta-corrente e CDBs.
Já o dinheiro das cadernetas de poupança só pode ser usado para crédito em setores
específicos, em proporções fixas (crédito imobiliário, agrícola, essas bossas). Os
fundos de investimento empregam o dinheiro de acordo com o prospecto, ele não fica
realmente com o banco.

&lt;p&gt;
Por último, Banco do Brasil e Caixa têm acesso a muito mais deste dinheiro "livre"
e "barato", o que lhes permite conceder mais crédito, e a taxas menores. Surpreendente
era o contrário, quando (por volta de 2006) o Banco do Brasil estava com cheque especial mais
caro que o Itaú.

&lt;p&gt;
Então, a história é um pouco mais comprida do que a Dilma conta; existe aí a motivação
política, nem sequer inédita, porque botar a culpa de tudo nos bancos é modinha no mundo
inteiro.

&lt;p&gt;Por outro lado, os bancos não são nem de longe uma "espécie ameaçada" no Brasil;
muitos outros setores produtivos da economia é que são. E
a Febraban faria melhor colocando alguns números no papel, e apontando soluções,
do que ficar discutindo se o cavalo bebe água ou não (**). Foi uma reação tão infantil que eu
cheguei a pensar em algum jogo-de-cena para dar mais um gás na popularidade da
Gerentona. Mas é teoria-da-conspiração demais, né?

&lt;p&gt;
A este jogo-de-cena, juntou-se a oposição, que inacreditável e pateticamente colocou-se
contra a alteração na poupança! Muito triste.

&lt;p&gt;
&lt;I&gt;(*) Não sei se realmente está mais caro. Foi apenas uma figura de linguagem. Lembranças à MILF Sarah Palin.&lt;/i&gt;
&lt;p&gt;
&lt;i&gt;(**) &lt;a href="http://guilhermebarros.istoedinheiro.com.br/2012/05/08/planalto-ve-como-provocacao-criticas-da-febraban/"&gt;Reportagem "Planalto vê como provocação críticas da Febraban"&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/juros.php</guid><pubDate>Wed, 09 May 2012 23:40:00 GMT</pubDate></item><item><title>Meu protesto continuado contra a extinção do programa 'Espaço Público'</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/espacopublico.php</link><description type="html">Por volta de 2007, instalei uma antena parabólica tipo BUD (*) e, como não sou
muito de ver TV aberta 'normal', comecei a assistir, por curiosidade mórbida,
aqueles canais de TV pública, como TV Senado, TVE e assemelhados.

&lt;p&gt;
Na TV Senado eu já tinha descoberto um programa interessante (para mim),
"Quem tem medo de música clássica?", apresentado pelo senador Arthur da Távola. Acho que passava
a cada domingo, 10 da manhã. Obviamente era sobre música clássica.

&lt;p&gt;
E acabei encontrando mais alguma coisa, na TVE: um excelente programa de debates,
chamado "Espaço Público", apresentado por Lúcia Leme.

&lt;p&gt;O formato era o mais simples possível: uma apresentadora/moderadora, alguns convidados,
e três temas por dia, um tema por bloco. Não era uma regra fixa, mas tentava-se abordar
um tema "noticioso", um tema mais "profundo" e um terceiro mais "leve", recaindo sobre
arte ou variedades.

&lt;p&gt;
Os convidados variavam de jornalistas da TVE, talvez catados nos corredores da emissora
"ad hoc", a políticos importantes. Alguns convidados eram figurinhas bastante repetidas,
mas sempre muito inteligentes e interessantes.

&lt;p&gt;Era curioso o equilíbrio que havia entre os seis convidados. Tinha gente de extrema-esquerda
e de extrema-direita liberal. As discussões esquentavam bastante de vez em quando. Tinha
defensor do governo, e crítico ferrenho. Não sei se este equilíbrio era propositado.
Provavelmente era, embora se tentasse passar a impressão que era algo casual.

&lt;p&gt;
O programa só tinha dois pequenos defeitos: passava muito tarde (depois da meia-noite),
e tinha mais convidados que por algum motivo estavam no Rio de Janeiro, afinal a TVE
estava lá.

&lt;p&gt;
Aí veio a suspeitíssima conversão da TVE em TV Brasil. O programa durou mais alguns
meses, e acabou sendo simplesmente extinto em agosto de 2008, por "razões de mudança de grade".

&lt;p&gt;
Era praticamente o único programa da TV Brasil que prestava, extinto. Por quê será?

&lt;p&gt;
O site Observatório da Imprensa &lt;a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/razoes_obscuras_para_o_fim_do_programa"&gt;disse algo sobre este assunto&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
Na minha opinião, o programa foi extinto porque não era suficientemente pró-governo.
Procurava fazer um debate equilibrado.
Não cabia na proposta da TV Brasil. É óbvio que a TV Brasil não foi criada para ser
uma BBC patropi :)

&lt;p&gt;
Mas isto é apenas a minha opinião genérica. Por outro lado, este blog homônimo
ao finado programa &lt;a href="http://www.espacopublico.blog.br/?p=778"&gt;levanta uma lebre&lt;/a&gt;
bastante específica a respeito do chapa-branquismo que alvejou (nos dois sentidos) a grade da TV Brasil.

&lt;p&gt;
Há esta expressão inglesa: "Quem tortura uma borboleta na Roda?". Descreve
um ato simultaneamente condenável, trabalhoso e irrelevante. O programa
Espaço Público passava de madrugada numa TV que tem audiência basicamente zero.
Custava deixá-lo em paz? Mas algum Pol Potzinho tupiniquim sentiu comichão na bunda
e foi fazer hora extra na Roda.

&lt;p&gt;
Por ironia do destino, o senador Arthur da Távola morreu, e com ele também se foi o programa dominical
sobre música clássica, em maio de 2008.

&lt;p&gt;
RIP. Alguns episódios do "Espaço Público" que encontrei no YouTube:

&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xj3E0d0mhTU"&gt;Análise do aumento da população carcerária dos EUA&lt;/a&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=i5FerethGRY"&gt;Política: mandato é do partido ou do candidato?&lt;/a&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xeNUtQba3a4"&gt;Discussão sobre a lei da homofobia&lt;/a&gt;

&lt;p&gt;
&lt;i&gt;(*) BUD: Big Ugly Dish. O sinal da parabólica de TV aberta parece ser fraco, e precisa
de uma parabólica grande, e muito bem apontada.
&lt;/i&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/espacopublico.php</guid><pubDate>Tue, 08 May 2012 00:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Algumas considerações sobre a finada RFFSA</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/rffsa.php</link><description type="html">Um blog da Revista Veja postou alguma coisa sobre privatização
das ferrovias.
&lt;a href="http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/economia/mais-um-argumento-pro-privatizacao/"&gt;
O texto está aqui.&lt;/a&gt;

&lt;p&gt;Um amigo de esquerda, o Marcondes Witt, me perguntou o que eu achava disso. (Aliás, eu deveria
começar a dizer simplesmente "um amigo", porque a grande maioria é de esquerda. O rótulo de excepcionalidade
cabe aos amigos de direita.) Entre réplicas e tréplicas, surgiu o protótipo de artigo, que copio abaixo,
com algumas edições. Como o texto nasceu no "bate-bola", considero que parte do "copyright" é do Marcondes.

&lt;p&gt;
Sobre RFFSA dar prejuízo, de fato ela dava, e dá até hoje, mesmo depois de morta, por variados meios.
Desde o final dos anos 80 toda notícia sobre RFFSA acaba incluindo a expressão
"processos trabalhistas".

&lt;p&gt;
A RFFSA era ruim, mas não era um mal absoluto isolado. Ela existia dentro de um contexto,
o que a tornava pior que a estatal "padrão".

&lt;p&gt;
Primeiro de tudo, era um saco de gatos que açambarcou todas as ferrovias deficitárias do país. (A FEPASA foi criada pelo
mesmo processo, com as ferrovias de SP.) Dificilmente se consegue fazer uma fusão perfeita de 2 empresas;
imagine de 22, como era a RFFSA.

&lt;p&gt;
Segundo, a RFFSA nunca teve atenção do governo, provavelmente as diretorias apontadas politicamente eram
sempre as 'raspas do tacho'. Para contrapor: para a Petrobrás sempre foi o cara mais capacitado que o
governo podia encontrar, mesmo durante o regime militar.

&lt;p&gt;
Um aspecto "bom", que ainda faz a RFFSA morar no coração dos "amantes de trens", é que procurava
cuidar bem do material rodante e dos trilhos. Acho que quase nunca se ouviu falar de descarrilamento
nesta época. É típico de empresa "cheia de engenheiros"; acabam perdendo mais tempo folheando
o material a ouro do que fazendo dinheiro, mas isto tem o efeito colateral de conservá-lo.

&lt;p&gt;
O outro aspecto bom (sem aspas) era procurar manter o serviço de passageiros que era um sumidouro
de dinheiro a mais mas tinha função social interessante. Um sem-número de localidades que um dia
foram servidas pelo trem da RFFSA, ainda hoje não tem rodovia e/ou transporte coletivo.

&lt;p&gt;
Sobre transporte ferroviário de passageiros, é curioso constatar que os melhores (ou menos piores)
espécimes brasileiros são a) estatais e b) estão em São Paulo: Metrô, CPTM... Logo no ninho
demoníaco neoliberal do demotucanato?!
 
&lt;p&gt;
A E.F. Campos de Jordão é estatal até hoje (parece que agora faz parte da CPTM) e tem um modelo
interessante: procura faturar bem com o turismo, e fornece um serviço a preço de banana para os
moradores locais durante a semana.

&lt;p&gt;
Pesando os prós e os contras, as evidências apontam para um modelo onde transporte de cargas
deve ser privado e o de passageiros deveria ser estatal.

&lt;p&gt;
O modelo de privatização das ferrovias induziu o que a gente vê aí hoje: as atuais concessionárias "comendo do cadáver" da RFFSA. Quando o folheado a ouro descascou, começou a haver descarrilamentos toda semana... O modelo não encorajou investimentos pesados, nem permite se construa novas ferrovias (isto ainda é monopólio da União).

&lt;p&gt; 
Acho que a primeira locomotiva *nova* foi importada pela ALL não faz nem 5 anos. (Falo da ALL porque é a ferrovia
local em SC, é a que mais bem conheço.) Antes disso houve umas importações de locomotivas (bastante) usadas. Aqui perto de casa roncam diariamente as mesmas G-22 que a RFFSA comprou na época em que nasci. Pelo menos os vagões são em sua maioria novos, e feitos no Brasil.
 
&lt;p&gt; 
É é claro, não dá pra esperar investimento privado em ferrovias se o poder público faz as rodovias e permite que as transportadoras coloquem caminhões com sobrepeso "de graça" em cima, enquanto uma empresa ferroviária tem de manter a linha férrea do próprio bolso, bem ou mal.
 
&lt;p&gt; 
Se o transporte rodoviário de cargas arcasse com todos os seus custos (ou suas "externalidades", como os economistas gostam de falar), até mesmo a história da RFFSA teria sido diferente.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/rffsa.php</guid><pubDate>Thu, 12 Apr 2012 00:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Bom artigo sobre a divisão do Pará</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/paradiv.php</link><description type="html">Interessante &lt;a href="http://www.lucioflaviopinto.com.br/?p=2146"&gt;artigo de Lúcio Flávio Pinto&lt;/a&gt;,
indicado por um amigo do Pará, que esclarece alguns porquês da situação terrível que vive este
gigantesco Estado brasileiro -- apesar de ser um grande exportador e fornecedor de energia.

&lt;p&gt;
O autor do artigo basicamente contesta a utilidade da divisão do Pará em três, apesar do óbvio
argumento da extensão territorial, se a autonomia de cada Estado continuaria minúscula como
é hoje.

&lt;p&gt;
O pano de fundo é o velho conhecido centralismo brasileiro no governo federal. Como
sulino e "sulista", reclamo bastante deste centralismo; o artigo mostra que ele não é
bom para ninguém.

&lt;p&gt;
É bom apenas para uma camarilha de políticos dos grotões, que sabe apertar os botões
certos no governo federal. E o povo dos grotões continua votando neles, pragmaticamente, por medo
de perder o pouco que tem.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/paradiv.php</guid><pubDate>Wed, 11 Apr 2012 10:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Meta-preguiça</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/metapreguica.php</link><description type="html">&lt;i&gt;
Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. (1 Timóteo 1:15)
&lt;/i&gt;

&lt;p&gt;
Com o versículo acima começo este texto, na intenção de sinalizar aos potenciais ofendidos que isto aqui é também uma autocrítica. Embora seja algo que eu tinha "na ponta da língua" para dizer a meus alunos desde a época em que dava aulas na faculdade. Nunca tive coragem, porque tenho a tendência de criticar em tom de catilinária.

&lt;p&gt;
Não é segredo que o Sul do Brasil é, no geral, uma região boa de se viver. Uma pedra-de-canto desta
vantagem, que só percebi nitidamente depois de morar fora e voltar, é que há um mínimo de respeito
mútuo, uma certa igualdade, ao menos no plano cultural. Entre o brasileiríssimo mantra &lt;i&gt;"Você sabe com quem
está falando?"&lt;/i&gt; e o antídoto estadunidense &lt;i&gt;"Quem você pensa que é?"&lt;/i&gt; nós do Sul ficamos
a meio caminho (*).

&lt;p&gt;
Há diversas teorias sobre o porquê desta diferença. Uma delas é a configuração da produção rural
em minifúndios, em vez de latifúndios. Os imigrantes recebiam um lote de terra e eram proibidos
de possuir escravos, o que quitava de plano dois mecanismos de estratificação: concentração rápida de
meios de produção e, naturalmente, a existência de seres humanos na condição de escravos.

&lt;p&gt;
Ok, o minifúndio foi nossa salvação. Porém, isto não significa que é uma boa ideia continuar
fazendo isso hoje.

&lt;p&gt;Os descendentes de imigrantes que, por qualquer motivo, insistiram em
continuar plantando batata numa propriedade minúscula, estão reduzidos à pobreza.
As exceções são gente que trabalha na cidade e toca o sítio em paralelo.

&lt;p&gt;
Mais hilário é quando você pega um tipo desses, que vive no limite da miséria plantando
banana no morro, mas que se acha melhor que o resto da humanidade porque tem um sobrenome
alemão. &lt;i&gt;Sense of entitlement.&lt;/i&gt; (Talvez a filha dele ainda tenha alguma chance a mais na vida por ser loira.
Ainda. Se as morenas voltarem à moda, como estavam nos anos 70, aí ferrou de vez.)

&lt;p&gt;
Talvez o leitor já esteja desconfiado que o artigo não seja sobre a região Sul. De fato não é. É
sobre insistir num modelo obsoleto, acreditando que as coisas nunca mudam, sendo escravo
da sua própria cultura.

&lt;p&gt;
Ou então fazer o contrário: perceber o esgotamento do modelo e migrar. Como os imigrantes
fizeram. Os descendentes de alemães e italianos se incomodaram um pouco com Getúlio Vargas,
mas em compensação se safaram de duas guerras mundiais e um genocídio. 

&lt;p&gt;
Infelizmente, o comodismo é uma atitude que eu percebia muito em sala de aula. Aquela
famosa frase-modelo &lt;i&gt;"Pra que preciso aprender isso se nunca vou usar?"&lt;/i&gt; que
permite gerar um sem-número de perguntas pragmáticas: pra que aprender programação
se eu trabalho em TI? Pra que aprender matemática se tem o Excel?

&lt;p&gt;
Não que meus
alunos fossem gente preguiçosa. A quase totalidade trabalhava, muitos deles em empresas
grandes, quiçá ganhando mais do que eu, o que acho ótimo. Mas freqüentavam a faculdade
como quem vai na missa para agradar a sogra. Só despertava interesse aquilo que
tinha aplicação imediata.

&lt;p&gt;
É o que chamo de meta-preguiça: a crença que o mundo vai continuar do jeito
que está, para sempre. Então, pra quê buscar uma preparação acima da estritamente
necessária ao dia-a-dia?

&lt;p&gt;
Não que meus alunos fossem especialmente meta-preguiçosos. Eram apenas o grupo
social com quem eu tinha mais contato, quando observei estas coisas pela primeira
vez. Hoje enxergo que este mal afeta quase todo mundo na terrinha.

&lt;p&gt;
Joinville em particular é uma cidade com abundância de emprego. Muitas indústrias,
muitas empresas de informática, vida razoavelmente barata. Não há nem necessidade 
de formação muito apurada, nem tanta oportunidade de usá-la quem a possui.

&lt;p&gt;
Obviamente, abundância de oportunidades não é em si um mal. Mas acostuma
mal as pessoas. E cria a ilusão de que as coisas vão ser assim pra sempre.

&lt;p&gt;
Na minha área de atuação em particular, informática, observo o fenômeno de
haver inúmeras empresas de ERP, mas quase nenhuma de desenvolvimento avançado.
Não havia nenhuma até esses dias, agora há umas poucas (um alô pros meus amigos Piero,
Diego e Waldemar, os intrépidos pioneiros).

&lt;p&gt;
Aí a galera da informática se acomoda e fica desenvolvendo ERP, achando
que a vida vai ser assim pra sempre. 

&lt;p&gt;Na verdade
é um meta-comodismo, porque já trabalhei com ERP e cansei de me incomodar
com clientes, usuários, alterações no sistema porque a Borracharia do Zé usa
um formato de nota fiscal totalmente sui generis... quem é da área sabe o que
estou falando.

&lt;p&gt;
Manter uma software house com ERP é um desafio quase NP-completo. O mantra
destas empresas é "faturar horas". Rezar para as Borracharias do Zé 
pedirem relatórios em formatos estúpidos para gerar ordens de serviço.

&lt;p&gt;
Como eu disse numa palestra na FURB: enquanto vocês ficam faturando horinhas,
o pessoal no Norte/Nordeste está se formando, com calma e com tempo; e depois vai
escrever "aplicativozinhos" que vendem milhões de cópias. Com incentivo do
governo em todas as fases.

&lt;p&gt;Não se trata de
preguiça. Trata-se de esperteza, de escolher um pouco o que vai fazer (**)
e principalmente de &lt;b&gt;preparar-se&lt;/b&gt; para poder escolher.

&lt;p&gt;
Esta aposição Sul-Nordeste foi uma tentativa de usar de psicologia, mexer
com os brios do pessoal na palestra. (Não adiantou muito, eles nunca me
chamaram de volta para ministrar um mini-curso, oferecido gratuitamente aliás.)
Mas não deixa de ter um fundo de verdade.

&lt;p&gt;
Com um detalhe: quem faz desenvolvimento avançado, pode fazer isto em qualquer
lugar do planeta. Quem
desenvolve ERP pode não ter a mesma sorte, porque legislação fiscal ou trabalhista
estúpidas como a do Brasil, só tem no Brasil (***). No mundo civilizado, a galera
usa SAP, e mesmo no Brasil o SAP está ganhando terreno...

&lt;p&gt;
Para ser devastadoramente honesto, consigo apontar muito mais gente "fodona"
em computação no Norte/Nordeste que no Sul. Isto tem muito a ver com a natureza
dos meus últimos trabalhos, mas não deixa de ser uma evidência empírica.

&lt;p&gt;
Veja bem, não tenho nada contra quem desenvolve ERP. Se você faz isso direito,
parabéns, porque você é exceção. A maioria dos sisteminhas de ERP é uma &lt;b&gt;bosta&lt;/b&gt;.
Na próxima vez que for a uma loja ou restaurante, cronometre
quanto tempo o atendente leva para emitir a notinha e passar o cartão.
Porque o sistema é desenvolvido por gente que não sabe nada, não quer saber e tem raiva de
quem sabe.

&lt;p&gt;
O mesmo vale para qualquer outra atividade "cômoda". Você trabalha em indústria?
Está vendo as indústrias do mundo todo irem para a China? Pois é... Se quiser
continuar industrial ou industriário, melhor considerar as possibilidades. 
Até mesmo ir para a China, tem brasileiros se dando muito bem lá em posições
de gerência.

&lt;p&gt;
Ou então imaginar que as empresas locais sempre vão precisar daquele mesmo
tipo de mão-de-obra, qualificada &lt;i&gt;pero no mucho&lt;/i&gt;. Um belo dia, elas precisarão
de gente mais qualificada e os locais não estarão no par do campo. Num dia
a empresa pediu pro cara fazer hora extra e deixar o estudo de lado, no outro
ela demite-o para contratar um "imigrante" qualificado de SP.

&lt;p&gt;
Joinville está recebendo uma legião de imigrantes do Sudeste,
geralmente pessoas com excelente formação. Talvez o "doomsday" já tenha chegado
e ninguém viu.

&lt;p&gt;Não que isto me incomode. Nem poderia. Também eu já fui um "imigrante" em
Recife. O que me incomoda é ver que pessoas próximas -- alunos, parentes, amigos --
tendo nascido neste cantinho agradável do mundo, não construíram nada em cima disto.
Erro que eu mesmo cometi, intermitentemente.

&lt;p&gt;
E já que acabei falando de regiões A ou B, deixo claro
que não sou signatário daquele "white guilt" que acomete
alguns sulistas, principalmente os de esquerda. Para estes,
haverá um próximo artigo em breve; não perdem por esperar :)
Tenho imenso orgulho do &lt;i&gt;status quo&lt;/i&gt; da região. Mas o futuro 
precisa de atenção.


&lt;p&gt;
&lt;i&gt;(*) É um valor que infelizmente os estadunidenses estão pondo a perder. Tocqueville deve estar muito chateado.&lt;/i&gt;&lt;br&gt;
&lt;i&gt;(**) Isso me lembra uma expressão que ouvi inúmeras vezes: "Escolher trabalho é coisa de vadio."&lt;/i&gt;&lt;br&gt;
&lt;i&gt;(***) Eu não ia perder a oportunidade de pregar meu evangelho libertário, mesmo en passant.&lt;/i&gt;&lt;br&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/metapreguica.php</guid><pubDate>Thu, 01 Mar 2012 23:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Uma comparação entre cálculo econômico e redes neurais</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/economianeural.php</link><description type="html">Neste artigo, comparo o funcionamento de alguns sistemas
econômicos com certas configurações de redes neurais.
A hipótese central é que as bem conhecidas limitações destas
redes neurais aplicam-se igualmente aos sistemas econômicos.

&lt;p&gt;
Link para o artigo: &lt;a href="http://epx.com.br/artigos/economianeural.php"&gt;
http://epx.com.br/artigos/economianeural.php
&lt;/a&gt;

&lt;p&gt;
Inspirado por
&lt;a href="http://hhenkels.blogspot.com/2012/02/maravilha-da-matematica.html"&gt;
este post relacionado ao assunto&lt;/a&gt;.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/economianeural.php</guid><pubDate>Sat, 25 Feb 2012 02:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Resenha do livro 'A privataria tucana'</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/privataria.php</link><description type="html">Pelo menos dois amigos de esquerda estão curiosos para saber o que eu
tenho a dizer sobre o livro, então &lt;i&gt;'bora&lt;/i&gt; escrever logo, ainda
no &lt;i&gt;warm-up&lt;/i&gt; da volta ao trabalho. Um deles foi gentil em me mandar uma cópia,
aí estava automaticamente sujeito à "Lei do Círculo do Livro" (ganhar livro =
obrigação de resenhar).

&lt;p&gt;
Eu mesmo não colocaria a mão no bolso para comprá-lo, porque julguei inicialmente
que o livro estaria no mesmo nível do "Honoráveis Bandidos", de Palmério Dória.
Por mais que eu não goste do Sarney, uma folheada rápida numa livraria deu a
impressão de ser um livro escrito com raiva.

&lt;p&gt;
Mas felizmente o Privataria é de nível mais alto.

&lt;p&gt;
Primeiro, vamos falar de estética. O livro é bonito, o trabalho gráfico externo
e interno é bom, a gramatura das páginas é boa, o tipo e tamanho da letra é legal,
aparentemente nenhum erro tipográfico ou ortográfico deixado para trás.

&lt;p&gt;
Pelo menos no início, o livro é muito bem escrito. Aquela coisa: frases e parágrafos do
tamanho certo, estilo agradável, uma frase puxa a outra e você quer continuar lendo.
Não sei por quê, lembrou o estilo do Ivan Sant'Anna [1].

&lt;p&gt;
Em termos de conteúdo, o livro tem três partes bem claras e quase estanques entre si.

&lt;p&gt;
A primeira parte, a mais interessante e bem escrita, fala sobre as falcatruas do processo
de privatização. Não são exatamente novidade, cada item "soou um sino" em algum lugar da
memória, lembrou de reportagens dos anos 90 etc. O trabalho do jornalista foi investigativo
e enciclopédico.

&lt;p&gt;
O autor não esconde que foi contra
as privatizações (é um direito dele) mas faz diversos apelos à razão para convencer o
eventual leitor pró-privatização (do qual sou espécime) que o processo não foi conduzido
com lisura.

&lt;p&gt;
A editora Geração Editorial anuncia-o como um "livro sobre história recente". Ela
possui &lt;a href="http://www.geracaobooks.com.br/releases/colecao_historiaagora/"&gt;outros títulos&lt;/a&gt;
nesta linha, sem distinguir direitistas ou esquerdistas. Tem
porrada no Maluf, no Steinbruch e no Lula.

&lt;p&gt;
A primeira parte do 'Privataria' é, realmente, um livro de História. Também é a única
realmente relacionada ao título.

&lt;P&gt;A segunda parte é mais focada em José Serra. É bem escrita, embora não tanto quanto
a primeira. O foco no Serra e notável ausência de denúnicas contra outros próceres do
PSDB (Aécio, FHC, Alckmin) pode ser interpretado como uma posição "aecista" do autor,
uma 'pega' com o Serra, ou simplesmente um bom foco. Como disse Freud, às vezes um charuto
é só um charuto, e não um objeto fálico.

&lt;p&gt;
A propósito, um personagem profusamente citado ao longo de todo o livro é Ricardo Sérgio de Oliveira,
tesoureiro de várias campanhas do PSDB. Os tesoureiros de campanha brasileiros, seja qual
for o partido, estão sempre na ribalta...

&lt;p&gt;
Os mecanismos para lavagem de dinheiro descritos no livro são verdadeiros e, na verdade,
bastante conhecidos por quem é do ramo. Quem tem curiosidade a respeito destas "artes"
vai encontrar uma boa referência no livro.

&lt;p&gt;
A forma que as estatais (em particular o Banco do Brasil) e fundos de previdência
estatais foram (e provavelmente continuam sendo) induzidos a atuar em prol de interesses
particulares também foi leitura atraente, e ao mesmo tempo desagradável; você fica
se sentindo um idiota, tentando chegar a uma vida abastada meramente pelo trabalho...

&lt;p&gt;
Fica também mais claro o mapa do &lt;a href="http://epx.com.br/logbook/archive/2010/04/namoradinha-de-sao-paulo-e-as-aspides.html"&gt;sentimento anti-SP&lt;/a&gt;. Fica claro que ele transcende partidos
e tem um pólo muito importante em MG.

&lt;p&gt;
A terceira parte do livro é a menos brilhante. Não é ruim, mas as outras duas são melhores.
Provavelmente porque é autobiográfica: na campanha eleitoral de 2010, o autor foi acusado
de violar sigilo fiscal de pessoas próximas de Serra, acusação de que ele se defende muito
bem no livro. Na verdade minha maior "bronca" com este tomo é a menor beleza estética do
texto, mesmo.

&lt;p&gt;
Mas há coisas interessantes também nesta parte, em particular as brigas internas do PT
e do PSDB, onde uma reportagem contra o PT acaba respingando em alguém do PSDB, aí
o outro grupo desmente e assim vai. O caminho hamiltoniano dos rabos presos é bem
comprido e transcende partidos e ideologias.

&lt;p&gt;
A participação nada inocente da imprensa também é aspecto interessante da leitura.

&lt;p&gt;
A propósito, o autor bate na tecla da imprensa algumas vezes durante a primeira
parte, sobre como a imprensa "preparou o terreno" para convencer a população
a respeito da necessidade de privatizar etc.

&lt;p&gt;
Disso eu discordo parcialmente; quem preparou o terreno para as privatizações foi
a bagunça total reinante no Brasil nos 20 anos anteriores. Hoje as coisas
estão melhores e nós brasileiros estamos voltando a ser lenientes, resistentes a mudanças.
Mas opinião é como bunda, cada um tem a sua.

&lt;h3&gt;Conclusões, nitpicking, conclusões&lt;/h3&gt;

&lt;p&gt;
O livro em si é bom. É mais enciclopédico que bombástico. Abre o caminho para
mais trabalhos, que certamente virão, a respeito deste capítulo da história brasileira.

&lt;p&gt;
Os apelos à razão sobre quão mal-feitas foram as privatizações, são quase todos
verdadeiros. O autor concentrou-se mais nas teles (que na época, diferentemente
de hoje, eram as estrelas das Bolsas do mundo todo). Pessoalmente, conheço um
modelo de privatização ainda pior: o das ferrovias.

&lt;p&gt;
Por qualquer motivo o autor falou de "moedas podres" sem explicar exatamente
o que são. Deu a impressão que pagaram pelas nossas amadas estatais com cruzeiros
velhos ou coisa parecida. Na verdade, moedas podres &lt;a href="http://calixtoadvogados.com.br/titulos-da-divida-agraria-tda/tda"&gt;são títulos emitidos pelo
governo no passado&lt;/a&gt;, mas que não puderam ser resgatados, e valem muito
menos que seu valor de face no mercado.

&lt;p&gt;
Uma decepção geral a respeito das privatizações, inclusive para mim, foi a
promessa não cumprida de que esta serviria para abater a dívida total do governo.
Entraram aí diversos componentes: o gasto não foi contido; uma certa pressa
de finalizar o processo; bastante azar com as crises mundiais.

&lt;p&gt;
Não, não mudou minha opinião sobre privatizações. Eu simplesmente não vejo sentido
naquele mantra "empresa estatal pertence a todos nós". Uma ova. Pertence aos
respectivos funcionários, e quando muito ao governo &lt;i&gt;du jour&lt;/i&gt;.
Por mim, podiam ter privatizado todas de graça (segundo os detratores,
foi isto mesmo que aconteceu)
e o resultado final para todos nós seria melhor do que mantê-las
estatais. O resto do povo brasileiro, o Lula e a Dilma parecem concordar com
a minha opinião, já que não procuraram reverter o processo nem auditá-lo a fundo.

&lt;p&gt;
Ficou claro que as estatais e respectivos fundos de previdência são ferramentas
poderosas do governo, seja para privilegiar particulares ou levar a cabo suas
políticas. O simples fato do governo FHC ter reduzido-as em número e escopo já
é lucro; menos graus de liberdade para corrupção.

&lt;p&gt;
Um outro fator que todo mundo ignora, ou finge ignorar, quando se falar de
privado X estatal: a velocidade na migração de um modelo para o outro, conforme
a necessidade, é muito diferente. Se for necessário, um negócio ou segmento
econômico pode ser estatizado em algumas horas, basta uma canetada. Privatizar
leva 20 anos, isso com todos os fatos soprando a favor. Só isto já é um
enorme motivo para ter medo de estatizações.

&lt;p&gt;
O grande feito do FHC foi ter tornado o Brasil um 'país de verdade', coisa que
não era antes. O grande feito do Lula foi ter tornado o Brasil um país com
mercado interno forte, coisa que não tinha antes. Como (auto-?)sugestão para futuros
trabalhos, seria interessante explorar a hipótese de que a privatização foi
preposterada -- ou seja, a ordem 'correta' teria sido criar mercado interno
e depois privatizar, numa hipotética eleição do Lula em 1994 e de alguém mais
à direita em 2002.

&lt;p&gt;
&lt;i&gt;
[1] Ivan Sant'Anna é autor de livros sobre aeronáutica. Entre eles "Caixa-Preta",
excelente livro sobre três acidentes aéreos envolvendo aviões brasileiros, e
"Plano de Ataque", sobre os atentados de 11 de Setembro.
&lt;/i&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/privataria.php</guid><pubDate>Thu, 19 Jan 2012 15:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Novo artigo sobre ferrovias de Mafra/SC</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/mafra.php</link><description type="html">Durante minhas andanças nas férias, acabei indo até Mafra/SC para
visitar os 'pontos turísticos' de lá. Um resumo do que vi pode ser
encontrado &lt;a href="http://epx.com.br/artigos/mafra.php"&gt;neste 
artigo&lt;/a&gt;.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/mafra.php</guid><pubDate>Thu, 19 Jan 2012 14:59:00 GMT</pubDate></item><item><title>Resenhas: 'O valor de nada' e 'Breve história da economia'</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/economia.php</link><description type="html">Acabo de ler dois livros sobre economia: "O valor de nada" (Raj Patel) e
"Uma breve história da economia" (Paul Strathern),
gentilmente emprestados pelo amigo Luciano Veiga.

&lt;P&gt;Provavelmente ele 
espera que eu comente os livros. No nosso "círculo do livro"
de apenas três participantes, a retribuição tácita ao ato de emprestar um livro é
a resenha. Bem, lá vai.

&lt;p&gt;
"O valor de nada" eu achei meio palha. Uma catilinária contra o capitalismo e livre mercado, evocando meio-ambiente e justiça social etc. Meio sem foco, começou com a quase óbvia conclusão que preço é diferente de valor, aí abordou o conceito de externalidade. Foi indo, foi indo e acabou tecendo loas ao budismo e ao zapatismo.

&lt;p&gt;
Recomendadíssimo pros meus amigos de esquerda, já que vão concordar com cada palavra dele.

&lt;p&gt;Para mim teria sido um livro melhor se ele tivesse se concentrado na questão central: preço versus valor. É óbvio que o preço é uma medida unidimensional, enquanto o valor tem muitas dimensões. É como QI e inteligência: QI alto tende a correlacionar com grande inteligência, mas uma pessoa de QI alto nem de longe vai ser boa em absolutamente tudo (e.g. o desemmpenho em escrever poemas, fazer sexo ou cavar uma valeta provavelmente não correlacionam com QI).

&lt;p&gt;
Em particular,
o autor insistiu muito no conceito que "antigamente havia propriedade comum e os malvados burgueses
acabaram com ela quando atribuiram preço à terra". É o velho defeito da visão romântica do mundo
pré-capitalista. O fato é que a terra não tinha preço porque pertencia à nobreza e à Igreja, e
quem estivesse fora destas classes era automaticamente um servo, preso à terra sem nunca ser
dono de um metro quadrado dela.

&lt;p&gt;
Outro ponto meio furado foi a insinuação que "se você compra um smartphone está contribuindo para
a escravidão nas minas de tântalo e nióbio do Congo". Não sei se os militares do Congo tornar-se-iam
bonzinhos instantaneamente se exportassem menos minerais. A propósito, as maiores reservas destes metais
nem estão no Congo...

&lt;p&gt;
O autor tentou defender software livre, colocando-o em oposição a Microsoft etc. etc. Simpatizei
com a tentativa porque é a minha praia, mas da missa ele não sabe um terço. Os problemas do
software livre são mais intrínsecos (GNU x BSD, essas bossas) do que extrínsecos.

&lt;p&gt;
Mas, não foi ruim ler o livro. Ele é muitíssimo bem referenciado,
no mínimo serve para expandir a cultura geral sobre o assunto economia.
O estilo é leve, agradável, o livro em si é bem escrito.

&lt;p&gt;
Eu até concordo pontualmente com o autor. Por exemplo, quando ele afirma que muitos
produtos são mantidos em preços artificialmente baixos, descarregando externalidades
na forma de subemprego e poluição.

&lt;p&gt;
Um item particular, que eu não sei se dou risada ou me preocupo, é a citação de um estudo
indiano, que diz que um Big Mac deveria custar 200 dólares, se incluísse todas as externalidades
no preço. Eu estou achando que esta conta inclui 150 dólares de danos morais e emocionais, já que
as vacas são sagradas na Índia...

&lt;p&gt;Mas não deixa de ser algo a pensar. Se o estudo estimasse
20 dólares, já seria preocupante, afinal as externalidades terão de ser
indenizadas, mais cedo ou mais tarde.

&lt;p&gt;
O livro abordou bens que custam menos do que valem, e ironicamente eu acho que o livro vale
menos do que custa (os típicos 50 reais, no Brasil). Mas, se você
conseguir um emprestado, leia.

&lt;p&gt;
O outro livro, "Uma breve história da economia", é bem melhor. E realmente "prende" o leitor
pelo estilo. (Mas sejamos justos: escrever sobre o passado é mais fácil.)

&lt;p&gt;
No estilo, lembrou muito outro livro: "E: a história de um número", pois falou dos personagens
tanto no nível pessoal quanto profissional/científico. É interessante ver como a
origem e atribulações pessoais influenciam cada cientista e pensador.

&lt;p&gt;
É curioso ver como a ciência econômica evoluiu na esteira dos acontecimentos.
Aparece o problema, um pensador acha a solução. Aí as coisas vão bem por um tempo,
até que aparece outro problema. O último ciclo destes descrito no livro foi a
"estagflação", que Keynes considerava impossível e foi tratada por Milton Friedman.
O sucesso dele abriu a época do neoliberalismo.

&lt;p&gt;
Infelizmente, o livro foi escrito já faz alguns anos, então ele não aborda o que
pode ser o mais novo ciclo: a crise de 2008 e contestação forte do neoliberalismo,
talvez o início de um "neo-Keynesianismo" (que inclui em seu bojo o tratamento para
a estagflação).

&lt;p&gt;
O autor considera que os "três grandes" da economia são: Adam Smith, Marx e Keynes.
Curiosamente, Hayek é mencionado apenas uma vez en passant ao falar de Morgenstern,
que trabalhou com Von Neumann em questões econômicas.

&lt;p&gt;
Eu não conhecia muito da carreira de Keynes, e tenho uma certa "alergia"
a ele porque todos os esquerdistas têm se convertido de marxistas a keynesianos.
Foi interessante conhecer sua carreira, como a ideia de gasto público para estimular
a economia foi completamente nova nos anos 30.

&lt;p&gt;Uma interessante previsão
de Keynes (enquanto observador em Versalhes) foi afirmar que as pesadas
indenizações impostas à Alemanha na I Guerra teriam conseqüências ruins.

&lt;p&gt;
Finalmente, o livro abre e fecha falando do curiosíssimo Von Neumann, o
"Dr. Fantástico" da vida real, para começar, desenvolver e terminar o
texto com muito bom humor.

&lt;p&gt;
O Rudá mandou-me "A privataria tucana". Em breve, outra resenha :)</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/economia.php</guid><pubDate>Sun, 15 Jan 2012 00:30:00 GMT</pubDate></item><item><title>Artigo 'Eu e a dieta low-carb'</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/dieta.php</link><description type="html">Novo artigo no meu site: &lt;a href="http://epx.com.br/artigos/dieta.php"&gt;
Eu e a dieta low-carb&lt;/a&gt;. Enjoy.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/dieta.php</guid><pubDate>Mon, 09 Jan 2012 02:30:00 GMT</pubDate></item><item><title>Trem para o Inferno, de Robert Bloch</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/treminferno.php</link><description type="html">Fuçando umas velhas histórias de terror, encontrei uma
interessante (porque tem a ver com trens), e 
&lt;a href="http://epx.com.br/artigos/treminferno.php"&gt;aqui está a tradução
para sua diversão&lt;/a&gt;.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/treminferno.php</guid><pubDate>Mon, 19 Dec 2011 15:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Pajelança</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/pajelanca.php</link><description type="html">Acho que toda família tem, no bojo das suas micro-tradições, um conjunto
de remédios caseiros que operam curas 'milagrosas' para certas doenças.

&lt;p&gt;
Isso quando as próprias doenças em questão têm 'definição' que não encontra
respaldo em nenhum livro de Medicina...

&lt;p&gt;
Mas é como disse o outro: eu não acredito em bruxas, mas que elas existem,
existem.

&lt;p&gt;
Na minha família, um desses pares doença-cura é o tal 'sol na cabeça', que
eu imagino tratar-se de insolação.

&lt;p&gt;A definição é imprecisa mas a sensação
do 'sol na cabeça' é bem real: uma dor de cabeça chata, diferente de qualquer
outra, e que não passa nunca, nem com remédio. Ela continua por dias a fio,
sem variar ao longo do dia.

&lt;p&gt;Como deve ser óbvio, costuma
aparecer depois de pegar sol demais, principalmente aquele 'mormaço',
mais luz que calor (outra definição nada científica).

&lt;p&gt;
O remédio para o 'sol na cabeça' é bem estranho: colocar uma garrafa de
água invertida na cabeça.

&lt;p&gt;Uma garrafa de vidro, daquelas de água mineral de 500ml
é a ideal. Encha-a de água exceto por um pedaço do gargalo, coloque um
pano dobrado sobre a boca da garrafa, e vire rapidamente o conjunto,
colocando sobre a cabeça.

&lt;p&gt;
O senso comum diria que a água vai vazar rapidamente e molhar o doente todo,
mas isto não acontece, salvo é claro se a garrafa tombar. Mesmo os cabelos ficam
apenas um pouco molhados.

&lt;p&gt;
Para melhores resultados, a boca da garrafa deve pressionar exatamente na
"emenda" da cabeça, bem no meio, sem tender nem à esquerda nem à direita.
No sentido frente/trás, o ponto ideal tem de ser procurado por tentativa
e erro.

&lt;p&gt;
Quando o ponto ideal é encontrado, pequenas bolhas começam a subir, de forma ritmada,
fazendo um ruído que a 'vítima' consegue ouvir facilmente, então procurar o
ponto ideal da garrafa pode ser feito sem auxílio de outra pessoa, num ambiente
minimamente silencioso.

&lt;p&gt;
Os 'velhos' conseguem
dizer o 'tipo' de 'sol na cabeça' que você tem em função da freqüência,
tamanho e 'jeito' das bolhas. A ausência de bolhas normalmente é associada
com um posicionamento sub-ótimo ou ausência de sol-na-cabeça, mas algumas
interpretações admitem que isto é 'sereno na cabeça'.

&lt;p&gt;
Dizem ainda os 'velhos' que gente que passou meses com dor de cabeça,
achando que ia morrer, foi milagrosamente curado com este truque.

&lt;p&gt;
É uma pajelança total, mas eu garanto que funciona!

&lt;p&gt;
Agora a pergunta: por que isto funciona?

&lt;p&gt;
Os 'velhos' acreditavam que a água realmente 'entrava' na cabeça, mas
naturalmente isto não pode acontecer. Uma explicação plausível é
que o pano absorve água e diminui a temperatura daquela área da
cabeça.

&lt;p&gt;
Eu tenho uma teoria mais 'fora da casinha': que a emenda do crânio
no topo da cabeça é uma espécie de ponto de acupuntura ou algo do gênero,
que quando pressionado acaba melhorando a dor. Neste
caso a garrafa e a água são apenas uma forma indireta de definir o peso
e a pressão ideais sobre aquele ponto.

&lt;p&gt;
Até uns tempos atrás, não se achava nenhuma referência na Internet a
respeito deste negócio. Agora, procurando de novo, há diversas
referências. Aparentemente é uma 'pajelança' da medicina tradicional
do Centro-Oeste.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/pajelanca.php</guid><pubDate>Mon, 12 Dec 2011 15:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Changes in Black-Scholes calculator / Mudanças na calcultadora Black-Scholes</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/annbscalc.php</link><description type="html">The &lt;a href="http://epx.com.br/ctb/bscalc.php"&gt;Black-Scholes calculator&lt;/a&gt; got some
improvements:

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Now you can enter the expiration time in days (business or sequential) and expiration date
is adjusted, basis is current date. This is useful when one knows the time lapse (e.g. 45 days)
but not the exact expiration date. This often happens when we want to simulate an option scenario.
&lt;li&gt;You can choose between sequential days (365/year) or business days (252/year), following the
USA financial industry standard.
&lt;li&gt;Business days calculations take some holidays into account, with a Brazilian bias :) Namely:
Christmas, Christmas Eve, New Year's Eve, New Year and Good Friday. (If you are curious about
how to calculate Good Friday date, feel free to look into the code.)
&lt;li&gt;When any field is manually edited, page warns that recalculation is due. (I plan to move to
fully automatic recalculation in the near future.)
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;
A &lt;a href="http://epx.com.br/ctb/bscalc_pt.php"&gt;calculadora Black-Scholes&lt;/a&gt; recebeu algumas melhorias:

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Agora é possível informar o prazo em dias (úteis ou corridos), e a data de vencimento é
calculada com base na data de hoje. Útil para cálculos onde sabemos o prazo (digamos, 45 dias)
mas não a data, ou para simulações onde a data não é importante.
&lt;li&gt;Pode-se escolher entre dias corridos (365 por ano) ou dias úteis (252 por ano, seguindo o
padrão do mercado financeiro estadunidense).
&lt;li&gt;O cálculo de dias úteis leva em conta véspera de Natal, Natal, véspera de Ano-Novo, Ano-Novo
e Sexta-Feira Santa. (Se tiver curiosidade a respeito do cálculo desta última, sinta-se à vontade
para olhar o código.)
&lt;li&gt;Quando algum campo é editado manualmente, a página avisa que é necessário recalcular. (Pretendo
mudar isso para recálculo 100% automático no futuro.)
&lt;/ul&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/annbscalc.php</guid><pubDate>Sun, 20 Nov 2011 23:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Corrupção ainda é O Um Problema</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/corrupcao.php</link><description type="html">Pelo menos um cargo na União Européia, a presidência do conselho, cuja "posse"
é rotacionada entre os membros da União a cada seis meses. Há uns anos atrás
a vez coube à Grécia. Um conhecido meu, holandês, soltou um comentário na linha 
"ih, ferrou, corrupção vai comer solta".

&lt;p&gt;Para mim foi meio que uma surpresa,
não imaginava isto fosse ainda um problema num país membro da EU. Deu aquela
sensação que "incharam" a União e admitiram membros abaixo do par do campo.

&lt;p&gt;
Mas infelizmente não posso arrogar-me o crédito de prever o estouro da bolha
grega; nem eu nem ninguém imaginava que a coisa ia ser como as notícias
recentes têm mostrado.

&lt;p&gt;
Um raciocínio semelhante vale para a Itália. Tendo lido o livro "Gomorra" há
uns dois ou três anos (cujo conteúdo deixaria até Don Corleone deprimido)
não dava pra fingir que ela formava um bloco homogêneo com a EU.

&lt;p&gt;
Aí, surge uma onda de reportagens, blogadas e opiniões botando a culpa
de tudo no capital internacional e na mídia.


&lt;p&gt;Sempre sem dar nomes aos bois.  "Ah, foram eles, sempres os mesmos."
Que banco teria quebrado a Grécia? Que jornal estaria espalhando notícias
falsas com intuito de causar pânico?

&lt;p&gt;
É da psique humana negar sua responsabilidade quando comete alguma bobagem.
Isso é até compreensível,
ainda mais numa situação de estresse. O que não é compreensível é gente
inteligente tomar esta reação praticamente instintiva e comprá-la como
a grande verdade.

&lt;p&gt;
É como aquele cara que vive acima das suas posses, se endivida, contrai
um empréstimo para pagar outro, refinancia até a mãe, aí chega o dia
da verdade e o banco toma o carro de volta e coloca no SPC. É natural
que este sujeito fique ressentido com o banco, mas não é razoável que
coloque a culpa nele; seria comportamento de psicopata.

&lt;p&gt;
Aí começam as racionalizações ideológicas, que compõem em cima do erro
primeiro. Como o Estado "trabalha pelo bem-estar de todos", não seria
justo tachar o Estado perdulário da mesma forma que o indivíduo
perdulário.

&lt;p&gt;Eu penso diferente, de boas intenções o inferno está cheio e não acho
que os fins justifiquem os meios, ainda mais quando os fins não passam
de uma definição abstrata. Estado não existe; e governo que trabalha
pelo bem-estar de todos, eis a exceção.

&lt;p&gt;
Quando o governo nos diz que pagamento de pensões integrais ao funcionalismo público
é "gasto social", é para qualquer um pensar duas vezes na real validade
deste conceito.
(Veja &lt;a href="http://www2.unafisco.org.br/tributacao/43/report02.htm"&gt;
este artigo do Unafisco&lt;/a&gt; a respeito, com alguns contra-argumentos.)

&lt;p&gt;
Mas a racionalização tem mais uma camada. A própria corrupção é 
alçada a mal necessário, a conseqüência indesejável porém menor do
processo democrático. Ou seja, Estado perdulário e corrupto não é
desculpa, o capital internacional continua sendo o vilão. Então tá.

&lt;p&gt;
Ah sim, esqueci da mídia, a outra cabeça da Besta. A imprensa noticiaria
casos de corrupção no intuito de enfraquecer a democracia. Inclusive
no Brasil, ou principalmente no Brasil, &lt;a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18914"&gt;conforme sugere este artigo da Carta Maior&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;Claro que a corrupção
no governo Dilma é "bom" mas o do governo FHC foi "ruim". Há de se
fazer esta fina distinção, afinal o governo Dilma trabalha pelo povo...

&lt;p&gt;
Não que eu ache que mídia, capital internacional e mercado financeiro 
sejam "bonzinhos". Eu estou vendo a mídia negando a bolha imobiliária,
pra ficar num exemplinho. Em particular a respeito do mundo das finanças
posso recomendar aos interessados uma extensa bibliografia a respeito de
golpes, fraudes e administração irresponsável.

&lt;p&gt;
Agora, é preciso ter honestidade intelectual. Não vale ficar pensando de
forma compartimentalizada para justificar sua ideologia. Se alguém manipula
o mercado de derivativos, isso não é desculpa para ministro usar ONG pra
desviar nosso dinheiro.  Um erro não conserta o outro.

&lt;p&gt;
Também é preciso ter senso de proporção. A carga tributária brasileira
é 35% do PIB (e seria 40% não fosse o Lula, verdade seja dita), a dos EUA
é 31%, da Europa é uns 50% em média. É uma quantidade imensa de recursos
concentrada nas mãos de poucos controladores.

&lt;p&gt;O potencial ofensivo é muito maior que
o de qualquer investidor, e o escrutínio tem de ser muito mais intenso,
inclusive por parte da mídia. Um jornal que trate de governo em menos
que um terço das páginas não está fazendo seu trabalho.

&lt;p&gt;
Além disso o governo "tem o pau na mão": influi descaradamente no processo
legislativo, tem batalhões de procuradores à sua disposição para fazer
valer suas teses no sistema judicial (no qual também influi diretamente
por deiversos outros meios).

&lt;p&gt;É bem engraçado como os defensores do Estado forte
"esquecem" destes detalhes, e alardeiam que o Estado é fraco, sem recursos
etc. Qual o interesse que eles têm em propagar estas mentiras?

&lt;p&gt;
A corrupção governamental não é um problema nem menor nem igual do que
a safadeza no mercado financeiro. É um problema muito, muito maior. É
O Um Problema.

&lt;p&gt;
Até porque, se não fosse, o regime comunista estaria de pé até hoje,
e teria dominado o mundo. Os ideólogos de esquerda deviam pensar
com carinho nisto.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/corrupcao.php</guid><pubDate>Sat, 12 Nov 2011 18:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Artigo 'Fumando listas: Lisp'</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/lithp.php</link><description type="html">Novo artigo no meu site: &lt;a href="http://epx.com.br/artigos/lithp.php"&gt;
Fumando listas: Lisp&lt;/a&gt;. Enjoy.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/lithp.php</guid><pubDate>Sun, 06 Nov 2011 18:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Artigo 'Um dia o trem passou por aqui'</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/trempassou.php</link><description type="html">Novo artigo no meu site: &lt;a href="http://epx.com.br/artigos/trempassou.php"&gt;
Um dia o trem passou por aqui&lt;/a&gt;. Enjoy.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/trempassou.php</guid><pubDate>Sat, 05 Nov 2011 00:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Web apps for mobile devices, part 2</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/webapps2.php</link><description type="html">The second part of the Web Apps article is available
&lt;a href="http://epx.com.br/artigos/webapps.php#iphone"&gt;at the bottom of the
same page that already contained the first part&lt;/a&gt;. Enjoy.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/webapps2.php</guid><pubDate>Sat, 10 Sep 2011 00:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Educação hétero</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/hetero.php</link><description type="html">Conforme prometi no artigo anterior, vou falar um pouco sobre a vida
do homem (no sentido de ser humano do sexo masculino) dos 10 aos 20
anos.

&lt;p&gt;Mas este assunto acabou tendo algumas ligações com outra polêmica
recente: os protestos dos evangélicos contra a dita "mordaça gay" --
aquele projeto de lei que tipifica o crime de homofobia.

&lt;p&gt;
Não que eu seja inerentemente contra religião. Pelo contrário. Meu status
religioso é "evangélico sem denominação". 
Tem coisas que admiro muito nos meus amigos crentes (evangélicos "com denominação").
A principal é o senso de propósito. Para estes amigos, a religião parece eficaz em responder as
três perguntas-chave da vida: &lt;i&gt;de onde venho, para onde vou e
por que estou aqui&lt;/i&gt;.

&lt;p&gt;
Admiro esta capacidade de manter-se no curso, no escuro, sem
mapa, sem farol e sem sextante, enquanto o resto já fez
meia-volta ou simplesmente se perdeu assim que o sol se pôs.

&lt;p&gt;
As religiões fariam muito bem se circunscrevessem seu raio de
atuação a estas três perguntinhas. Instilar propósito na vida
dos fiéis já dá trabalho que chega. Infelizmente, elas entornam o caldo
quando tentam regular coisas como cor de roupa e vida conjugal,
ou determinar de onde vem a orientação sexual.

&lt;p&gt;
A rixa evangélicos X gays é particularmente engraçada, porque
os primeiros pegam
uma condição inata (a tendência a homossexualidade), promovem-na
à condição de pecado, e como pecado depende por definição de uma
má escolha livre, tentam racionalizar a coisa em termos de
educação errada mais opção consciente pelo homossexualismo.

&lt;p&gt;
Um dos meus amigos crentes (vamos chamá-lo de Gruber) afirmou
categoriamente que um gay é "fabricado" da seguinte forma: pai
ausente, mãe dominadora e educação "afeminada", oferecer
bonecas em vez de carrinhos, etc. E este tipo de "educação gay"
estaria sendo promovido pela TV, pelo governo etc.

&lt;p&gt;Além de risível, esta
tese cria outro problema: na conta de quem o pecado
do homossexualismo seria debitado? Dos pais ou do filho gay?
Enfim, o Gruber tem direito ter lá suas crenças risíveis sem
ser (muito) molestado. Também tenho minhas crenças e
até mesmo minhas superstições.

&lt;p&gt;
O ponto aqui é que a "educação gay" é colocada como um problema
de segurança nacional.  Será mesmo? Apenas 6% da população é
homossexual (*). Aposto que bem mais de 6% das mães são dominadoras.
Considerando o "hit rate", a "educação gay" é um fracasso.
Os Sábios de Sião andam meio enferrujados :)

&lt;p&gt;Ademais, a sociedade como um todo, sob qualquer métrica ou
ponto de vista está longe de ser ideal. O mundo está cheio de
gente violenta, infeliz, neurótica etc. E no mínimo 94% da
responsabilidade disto cabe aos 94% de pessoas que alegam ser
heterossexuais. 

&lt;p&gt;Talvez o problema mais premente seja a 
"educação hétero". O proverbial elefante na cozinha que quebra
tudo e ninguém vê.

&lt;p&gt;
Aqui entra o que afirmei no rodapé do artigo anterior: que 
a vida do "macho" dos 10 aos 20 anos é um inferno, e estou
convencido que parte do combustível que aquece este inferno
é a "educação hétero". Por quê?

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Os pais, quase que inconscientemente, assumem que uma menina
já tem pelo menos uma "profissão" futura: mãe &amp;amp; esposa.
Já um menino é um "traste inútil".
&lt;li&gt;O tratamento dispensado a um e outra reflete estas assunções.
Via de regra o menino é severamente cobrado para fazer cursos 
profissionalizantes, escolher uma carreira e/ou achar um emprego
o mais rápido possível.
&lt;li&gt;Já as meninas têm consideravalmente mais
lazeira e sofrem menos pressão. Se seguem uma profissão,
todo mundo acha legal, se não estudam nada, tudo bem também.
Se quiserem fazer francês e piano como as meninas do século XIX
faziam, "que bonitinho!".
&lt;li&gt;Sempre há um medo latente que o menino torne-se um "folgado",
já o maior medo em relação à menina é que ela não arranje um
marido com grana suficiente para "assumí-la".
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;
Alguns diriam que as meninas sofrem tanta pressão quanto os meninos,
embora de natureza diferente. Pode ser verdade, afinal de contas estou
falando de experiência pessoal, eu sei onde meu calo apertou. Mas
ainda acredito que a pressão absoluta sobre os meninos é maior.

&lt;p&gt;
E é claro, a outra fonte de calor do "inferno adolescente macho"
é biológica, esta inevitável:

&lt;ul&gt;
&lt;li&gt;Uma menina de 14 anos é biologicamente uma mulher feita;
recebe a atenção dos homens de 10 a 60 (ou até mais, graças
ao Viagra). Um menino de 14 anos é visto como uma coisa
assexuada.
&lt;li&gt;Um menino de 12 anos já tem instinto de homem: quer se
aventurar, conhecer lugares novos, distanciar-se dos pais,
namorar, mas está "preso" dentro de um corpo de criança.
&lt;li&gt;Feliz ou infelizmente, o fato é que a mulher colabora
mais com a propagação da espécie pelo simples fato do existir.
O macho é que quem de procurar uma razão melhor para continuar
vivo.
Na colméia, os zangões são mortos depois de fecundarem a rainha...
&lt;/ul&gt;

&lt;p&gt;
Esta combinação de pressões, naturais e artificiais, cozinha
o cérebro da rapaziada. Meninos são muito mais suscetíveis
a envolver-se com drogas, gangues, problemas em geral que as meninas.
A explicação socialmente aceita para isto é "boys are stupid, throw rocks
at them". Culpar a vítima é sempre fácil.

&lt;p&gt;
No geral, meus pais foram bem mais democráticos, liberais e
livres de preconceitos do que a maioria de sua época. Mas mesmo
eles foram acometidos da "educação hétero" de vez em quando.
Por exemplo, eu
fui "forçado" a pagar por minha faculdade, minha irmã não.
Ela teve carro à disposição, eu também tive... quando comprei
um, com meu dinheiro.

&lt;p&gt;
Digo sem medo de errar que a maior "força" que empurrou meus
pais para um tratamento mais igualitário foi a minha boca
grande e suja. Mundo estranho este, onde a gente tem de 
gerenciar nosso gerente e educar nossos próprios pais.

&lt;p&gt;Talvez haja alguns "atenuantes" aí. A situação financeira dos meus
pais era consideravelmente melhor quando chegou a vez da minha
irmã. Eu sempre tive uma tendência ao comodismo que precisava ser
compensada...

&lt;p&gt;
Mas foi impossível não notar que o tratamento dispensado a mim
por pais e parentes mudou da água para o vinho quando meu salário
alcançou o do meu pai. Até eles admitem. O tratamento dispensado
a minha irmã não sofreu nenhum "upgrade" do gênero.

&lt;p&gt;
E tenho ouvido coisas parecidas de muita gente, entre amigos
e conhecidos. É um padrão muito bem estabelecido.

&lt;p&gt;
É claro, "tudo que sobe, desce". O tratamento benevolente
com as meninas permanece enquanto elas forem lindas, novas,
magras, castas ou casadas com um bom marido e produzindo filhos lindos.
Qualquer pequeno desvio, ou o simples e inexorável passar dos
anos, e sobrevém os adjetivos: feiosa, velha, gorda, vagabunda,
desquitada ou mãe desnaturada.

&lt;p&gt;
Aliás, isto tem um nome: marianismo. Santificar e glorificar a mulher...
enquanto ela faz exatamente o que se espera dela.

&lt;p&gt;
Como é natural do ser humano, a mulherada reclama muito mais do
tratamento desfavorável na idade madura do que do tratamento
favorável na idade tenra. Mas são duas faces da mesma moeda,
o machismo.

&lt;p&gt;
Aqui a religião cruza de novo o caminho. Não raro você
vê um pastor falando na TV que "a mulher tem de ser submissa ao homem",
que "a mulher tem de cuidar da casa", que o sustento da casa cabe
ao homem, que se uma mulher estoura a grana do marido no shopping
isto é normal e até bonito, e assim por diante.

&lt;p&gt;
Enfim, é quase uma equação matemática: se eles acreditam numa suposta
"educação gay", têm de acreditar no seu antídoto, a "educação
hétero", que exacerba as diferenças naturais entre os sexos, só pra
garantir que ninguém vire gay ou lésbica, né?

&lt;p&gt;
Taí algo que a gente realmente &lt;b&gt;não&lt;/b&gt; precisa: a religião adicionando
peso do mesmo lado da balança onde já estão biologia e sociedade.

&lt;p&gt;
Mas... não podemos ignorar que a moral social às vezes está lá porque
existem boas razões subjacentes para tal. O discurso feminista de que
toda a estrutura social existe para oprimir as mulheres também
não me convence. A "educação hétero" é, na minha visão, mais
um caso de remédio que vira veneno pelo excesso na dose. Ou talvez
um "fóssil educacional".

&lt;p&gt;
Voltando à educação que meus pais me dispensaram. A verdade é que é
fácil criticá-los em retrospecto. Será que meus pais realmente erraram?
Se eu tivesse sido criado de forma mais "folgada", será que teria
me tornado um adulto relativamente bem-sucedido? Ou fizeram certo em
me "enquadrar"?

&lt;p&gt;
Boas perguntas :) Minha capacidade de introspecção não é páreo para
perguntas tão difíceis.

&lt;p&gt;
A "educação hétero" também falha em compensar diversas diferenças entre
os gêneros. Pelo contrário, exacerba-as.

&lt;p&gt;
Por exemplo, existem aqueles estereótipos envolvendo mulher e direção:
mulher não sabe dirigir direito, não sabe ler mapa, não sabe se orientar.
Infelizmente, eles são em grande medida verdadeiros. Existe uma porcentagem
considerável de mulheres que sequer têm coragem de dirigir. (Também são
tristemente confirmáveis os estereótipos masculinos: violentos, incapazes de manter um relacionamento,
voluntariosos etc.)

&lt;p&gt;
De fato, até onde a ciência sabe, o homem leva uma pequena (pequena!)
vantagem biológica sobre a mulher em raciocínio espacial. Mas não
o suficiente para justificar a diferença que observamos em espécimes
adultos. Como isto se explica?

&lt;p&gt;
Bem, você não vê meninas ganhando carrinhos no Natal. Talvez ganhem
um velocípede, mas ninguém fica estimulando-a muito a andar com ele.
Já um menino ganha um velocípede com 2 anos de idade, os pais insistem
até que ele aprenda a pedalar.

&lt;p&gt;Depois o pai ensina a fazer curvas,
fazer "drifting" e "burnout" no piso (é, eu ensino estas coisas
pro Felix. Dá-lhe educação hétero!). E filho homem tem de saber regular
o freio da bicicleta pra dar borrachão no asfalto.

&lt;p&gt;
Deve ser óbvio que, quando adulta, uma pessoa (seja macho ou fêmea) vai
ser muito mais hábil motorista se tiver praticado "stunts" desde os 2 anos, do
que aquela outra pessoa que nunca pilotou nem bicicleta e agora precisa
dirigir um automóvel.

&lt;p&gt;
Mesma coisa a questão de ler mapas. Sei por experiência própria que esta
é uma arte que se aprende praticando. Nem macho nem fêmea nascem sabendo.
Eu falo com autoridade: consegui me perder &lt;i&gt;dentro de Joinville&lt;/i&gt; numa
atividade escoteira! Isso com mapa, bússola e rádio comunicador.
Foi humilhante, mas um excelente treinamento.
Andar 15km a mais por não ler direito o mapa é um erro
que você não vai querer cometer duas vezes.

&lt;p&gt;
Quantas meninas fazem isso, ou pegam o carro e saem andando sem rumo para
treinar suas habilidades de orientação? Bem poucas. Depois não sabem ler
um mapa. Por quê será?

&lt;p&gt;
No fim das contas, adotar a "educação bi-curious" seria o ideal (desculpem
pelo abuso da metáfora; não pude resistir). De vez em quando, dar uma boneca
para o menino (um ursinho de pelúcia seria um compromisso aceitável para
os conservadores) e um carrinho para a menina. Assim teremos homens minimamente
hábeis com bebês, e mulheres que apreciem dirigir.

&lt;p&gt;
Isto não vai produzir uma legião de bissexuais? Não, não vai. Porque a
motivação, o temperamento de cada sexo vai permanecer o mesmo. Um
menino vai fazer "drift" com o velocípede mais cedo ou mais tarde,
com ou sem boneca (*cof* ursinho! *cof*) no baú de brinquedos.

&lt;p&gt;&lt;i&gt;(*) Esta estatística não é muito confiável, os estudos cospem proporções
de 1,8% até 34%. Depende o critério. Mas essa faixa de 6% a 8% me parece a mais
provável.&lt;/i&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/hetero.php</guid><pubDate>Sun, 04 Sep 2011 23:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>Web apps for mobile devices</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/webapps.php</link><description type="html">Strange as it seems, there is a way to develop applications for mobile devices,
where a) most of the code is portable across different platforms; b) based on
open standards; c) most of the logic is written with an interpreted language.
It's called &lt;b&gt;'web apps'&lt;/b&gt;.

&lt;p&gt;
Yet more strange is seeing the mobile world 'leapfrogging' the desktop in this
respect. Every OS has had the choice of adopting a similar technology as a fully-supported
way to write applications.

&lt;p&gt;
Web apps are, as the name says, based
on "Web" technologies: Javascript, HTML, CSS.
Read more about them in &lt;a href="http://epx.com.br/artigos/webapps.php"&gt;this new article&lt;/a&gt;.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/webapps.php</guid><pubDate>Sun, 14 Aug 2011 08:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>To whom it may concern</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/whomconcern.php</link><description type="html">Perhaps people are wondering why I keep writing so many flavors of
my &lt;a href="http://epx.com.br/ctb/hp12c.php"&gt;HP-12C Web emulator&lt;/a&gt;
(most recent are for 
&lt;a href="https://market.android.com/details?id=br.com.epx.andro12c"&gt;
Android&lt;/a&gt; and &lt;a href="http://epx.com.br/ctb/hp12c-iphone.html"&gt;iPhone&lt;/a&gt;).

&lt;p&gt;HP-12C is kind of a gold standard for financial calculators, even though
it shows its age. Some operations (e.g. depreciation) are seldom used,
while it lacks important ones (e.g. Black-Scholes).

&lt;p&gt;And let's be frank,
the pocket calculator is a gadget whose usage tends assintotically to zero.
It's like the wrist watch. Whoever wears one these days, think of it as
jewerly, not as a time-keeping device.

&lt;p&gt;
But, in absolute numbers, the 12C still has a huge user base. Even
my humble emulator gets something like 3000 hits a day. So it still
pays off to develop some variations of the same theme.

&lt;p&gt;I get some money for it via AdSense, but it obviously does not pay
my bills; I see it more like points in a game.
It is my pet project, most nerds have one and most nerds like to play
with old architectures; I am not exception to the rule.

&lt;p&gt;
Obviously, I like the HP-12C calculator. I have three of them, all of them pretty
worn out, to the point that I need to buy a fourth one soon. I also have an
HP-11C (gift from a guy that liked the emulator). This one I seldom
operate, it is handled as a sacred relic :)

&lt;div style="float: right; width: 50%; text-align: center; padding: 2em 2em 2em 2em"&gt;
&lt;img src="http://epx.com.br/logbook/entries/img/my_hp12c.jpg" alt="My first HP-12C, bought in 1993, still in operation" style="width: 100%"&gt;&lt;br&gt;
&lt;i&gt;My first HP-12C, bought in 1993, still in operation&lt;/i&gt;
&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;
This personal experience convinced me that emulator does not hurt
HP sales. (If I change opinion in the future, I will take the emulator
offline at once.) My current view is that such a software allows people
to play with it, taking their time, and eventually they buy the
real thing. After all, a physical calculator is much more convenient.

&lt;p&gt;
Another factor is trust: would you trust an emulator to
calculate your mortgage? I'll tell you, I &lt;b&gt;wrote&lt;/b&gt; the emulator, but I
always resort to a &lt;b&gt;real&lt;/b&gt; HP-12C when I have to handle some "serious"
financial operation.

&lt;p&gt;
There is a sentimental reason for me to play with this gadget, perhaps
is the most important one. Because of the HP-12C, and because I knew to
operate it, I got my first "great" job -- that kind that pays a salary
like your father's, and family begins to treat you like an human being
instead of just another kid.

&lt;p&gt;
It happened this way: I wrote a Clipper system for &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Structured_settlement_factoring_transaction"&gt;factoring&lt;/a&gt; businesses. The manager
of the biggest client called complaining that the system understimated
the interest, which allegedly caused a sizable loss.

&lt;p&gt;
Facing an accusation like that, defense must be bold, even if the system
was actually inacurrate, because there could be an implicit accusation
of fraud. But I was pretty sure that there was no problem at all, since I employed
the HP-12C formulas (that can be found in manual), and numbers tallied
up with the calculator to the cent.

&lt;p&gt;
At meeting time, the conversation flowed as expected (meaning: myself in the
role of culprit) until I unpocketed the HP to prove my point. The client's
tone changed fast ("Do you actually know how to operate this? Hmmmm...").

&lt;p&gt;
We found that discrepancy was due to the fact that client's manager
used a TI calculator (and used the financial functions in interesting ways).

&lt;p&gt;
To please him, I changed the system &lt;i&gt;in loco&lt;/i&gt; to mimic his calculation,
which reinforced the good impression I made. One week after, I was hired
full-time in there.

&lt;p&gt;
Being a generalist is demodé (indeed it is not ideal) but it is funny how
the possession of a knowledge completely unrelated with IT actually put my carreer
on track.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/whomconcern.php</guid><pubDate>Fri, 12 Aug 2011 08:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>A quem interessar possa</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/interessar.php</link><description type="html">Duas atividades recentes têm soprado as brasas da memória. Uma delas é a preparação 
de uma palestra sobre vida profissional.  A outra foi o lançamento do
&lt;a href="http://epx.com.br/ctb/hp12c.php"&gt;emulador de HP-12C na Web&lt;/a&gt; para
&lt;a href="https://market.android.com/details?id=br.com.epx.andro12c"&gt;
Android (batizada Andro12C)&lt;/a&gt;. A propósito, há uma versão 
&lt;a href="http://epx.com.br/ctb/hp12c-iphone.html"&gt;otimizada para iPhone&lt;/a&gt;
também.

&lt;p&gt;
A HP-12C é o "padrão-ouro" das calculadoras financeiras, mas já mostra a sua
idade. Algumas funções "sobram" (exemplo: depreciação), outras fazem falta
(como Black-Scholes). Certamente é um objeto cujo uso tende assintoticamente
a zero.

&lt;p&gt;Mas ainda é muito utilizada, o número de acessos ao emulador (3000 por dia, mais ou menos)
mostra isso, de modo que ainda tem valido a pena fazer algumas "variações sobre o
mesmo tema" e ganhar uns trocados no AdSense. Não é o que paga as contas,
enxergo isto mais como pontos num jogo.

&lt;p&gt;
Também é um projeto divertido, quase todo informata que se preze
brinca com alguma arquitetura antiga. Quem sabe um dia eu ouça o Rudá e faça um
emulador de HP-48 :)

&lt;p&gt;
Obviamente, eu gosto da calculadora. Possuo três HP-12C, e ganhei uma HP-11C
de um cara que gostou do emulador. Tirante a 11C que trato como a relíquia que
é, as demais estão incrivelmente gastas; preciso comprar mais uma em breve.

&lt;div style="float: right; width: 50%; text-align: center; padding: 2em 2em 2em 2em"&gt;
&lt;img src="http://epx.com.br/logbook/entries/img/my_hp12c.jpg" alt="Minha primeira HP, comprada em 1993, ainda em operação" style="width: 100%"&gt;&lt;br&gt;
&lt;i&gt;Minha primeira HP, comprada em 1993, ainda em operação&lt;/i&gt;
&lt;br&gt;
&lt;/div&gt;

&lt;p&gt;
Esta experiência pessoal me convence que o emulador não tira clientes da HP.
Se um dia me convencer do contrário, tiro o emulador do site no mesmo instante.
O emulador é uma forma de experimentá-la com calma e com tempo, e uma calculadora
de verdade é muito mais conveniente, para quem realmente usa.

&lt;p&gt;
Outra questão é a confiança. Você confiaria nos resultados de um emulador
para calcular a prestação da sua casa? Eu não! :) Escrevi o emulador, mas
na hora de fazer uma operação financeira "séria" eu uso a calculadora real,
no mínimo para conferir o resultado.

&lt;p&gt;
Também há uma razão sentimental para ficar "brincando" com esta
calculadora, e talvez seja a mais importante de todas. Foi
por conta de uma HP-12C, ou por saber lidar com ela, que consegui meu
primeiro "empregão" -- daqueles que seu salário encosta no do seu pai, e você
começa a ser tratado como um ser humano de verdade em casa (*). É possível
que eu esteja aqui hoje graças a este evento.

&lt;p&gt;
Foi assim: eu tinha um sistema em Clipper para factorings (**), do qual
vendi diversas cópias. O gerente de uma factoring, de longe a maior
de todas, ligou reclamando que meu sistema subestimava os juros, o que
teria causado perdas "de 30 mil reais".

&lt;p&gt;
Diante de uma acusação destas, a defesa precisa ser vigorosa, mesmo que
de fato houvesse um erro. Até porque poderia haver suspeitas de fraude.

&lt;p&gt;Mas eu tinha certeza razoável de que as contas estavam certas, pois
utilizava as fórmulas do manual da HP-12C, e os valores batiam com os da
calculadora até o centavo.

&lt;p&gt;
Na hora do "confronto", a conversa seguia normal (ou seja, comigo no papel
de culpado) até que saquei a HP para provar meu ponto.
Aí o tom já foi mudando ("Puxa, você sabe operar isso?").

&lt;P&gt;No fim das contas a diferença devia-se ao fato do tal gerente usar uma
calculadora da TI.

&lt;p&gt;Ainda alterei o sistema &lt;i&gt;in loco&lt;/i&gt; para os valores
baterem com a calculadora dele, o que reforçou a boa impressão.
Uma semana depois, fui contratado em tempo integral.

&lt;p&gt;
Embora ser generalista esteja fora de moda (e de fato não é o ideal) não
deixa de ser curioso que um conhecimento não-relacionado com informática
tenha definido minha carreira.

&lt;p&gt;
&lt;i style="font-size: 85%"&gt;(*) Isto é um assunto que merece um artigo só para ele. Mas a linha de raciocínio
é a dificuldade em ser homem (no sentido de portar cromossomo XY) numa faixa de idade que
vai dos 9 aos 20, com um período particularmente crítico dos 10 aos 13. Enquanto
as meninas de mesma idade recebem tratamento consideravelmente mais ameno por
parte dos pais e da sociedade.
&lt;/i&gt;

&lt;p&gt;
&lt;i style="font-size: 85%"&gt;
(**) A saga das factorings nos anos 90 é outro excelente assunto para um artigo,
até pela correlação com a presente bolha imobiliária.
&lt;/i&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/interessar.php</guid><pubDate>Fri, 12 Aug 2011 08:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Resenha do livro 'No one would listen'</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/markopolos.php</link><description type="html">&lt;a href="http://www.amazon.com/No-One-Would-Listen-Financial/dp/0470553731" class=noarrow&gt;
&lt;img src="http://epx.com.br/logbook/entries/img/markopolos.jpg" style="float: left"&gt;
&lt;/a&gt;

Todo mundo já ouviu falar de &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bernard_Madoff"&gt;
Bernard Madoff&lt;/a&gt;, e muitos devem ainda lembrar do que significa este nome.
Basicamente, este amável cidadão conduziu uma fraude durante 20 anos, causando
um prejuízo final de 65 bilhões de dólares.

&lt;p&gt;
A fraude era no estilo "pirâmide", ou talvez "roubar Pedro para pagar Paulo": um fundo de
investimentos que prometia rentabilidade alta com variância praticamente nula.
Na verdade não havia investimento nenhum; o dinheiro simplesmente ficava parado
no banco, menos é claro o que ele retirava (ou roubava) para uso pessoal.

&lt;p&gt;
Quando o caixa ficava curto para cobrir eventuais retiradas, Madoff, arrumava novos
investidores. Nisto, Madoff era ajudado pela sua posição proeminente na sociedade
e na comunidade judaica, onde seu fundo era conhecido como "the Jewish T-Bill"
(numa tradução livre, "a caderneta de poupança dos judeus"). A nata da nobreza
europeia também "investia" com ele.

&lt;p&gt;A coisa rolou até 2008 quando as retiradas devido à crise foram vultosas
demais, e o esquema implodiu.

&lt;p&gt;
O livro "No one would listen" não é exatamente uma narrativa desta história.
É um livro autobiográfico de Harry Markopolos, um analista de investimentos
que descobriu que Madoff era uma fraude já em 1999, mas não conseguiu convencer
(quase) ninguém deste fato até o desfecho em 2008.

&lt;p&gt;
Tudo começou quando Markopolos foi encarregado de desenvolver um investimento
que tivesse desempenho aproximado ao fundo de Madoff. Logo ele concluiu
que isto era matematicamente impossível, e o fundo tinha de ser uma fraude.

&lt;p&gt;
A partir desta premissa, Markopolos e mais um punhado de amigos puseram-se
a investigar que tipo exato de fraude ou crime estava sendo cometido. A
priori pensaram nalguma modalidade de &lt;i&gt;insider trading&lt;/i&gt;, mas o volume
monstruoso do fundo (um segredo desvendado somando-se valores fornecidos
por diferentes pessoas em conversas informais) era muitas vezes maior que
os mercados nos quais Madoff alegava ganhar dinheiro.

&lt;p&gt;
Este é o aspecto "nerd" interessante do livro: as primeiras "provas"
a respeito da fraude foram baseadas em matemática. Algumas provas dependiam
de matemática avançada, mas outras eram simples contas de padeiro.

&lt;p&gt;
A sub-trama tragicômica consiste nas repetidas tentativas de avisar
outros investidores e o SEC (&lt;i&gt;Securities Exchange Commission&lt;/i&gt;, equivalente
à CVM do Brasil) sobre a fraude, sempre sem sucesso.

&lt;p&gt;
Embora o SEC tenha tomado o "frango" mais feio, outras pessoas e entidades
também ignoraram os avisos, inclusive a grande imprensa. Madoff era simplesmente
uma unanimidade, todo mundo acreditava nele, e queria continuar acreditando.

&lt;h3&gt;Ave de mau agouro&lt;/h3&gt;

&lt;p&gt;
O livro é um alerta triplo sobre &lt;a href="http://epx.com.br/logbook/archive/2011/02/recomendacoes-de-corretoras.html"&gt;recomendações de analistas para investir nesta ou naquela coisa&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;Além de analistas serem cooptáveis e/ou simplesmente deixam-se contaminar
pela moda do momento, Markopolos mostra que o jogo pode ser ainda mais sujo.

&lt;p&gt;
Ficou claro para Markopolos que ninguém realmente apreciava ser advertido.
Mesmo os que tinham lá suas desconfianças a respeito de Madoff acabavam
caindo num discurso do tipo "não pode ser" e preferindo desprezar a ave de mau
agouro.

&lt;p&gt;O SEC sentia-se ultrajado na sua condição de guardião dos mercados.
Como é que um analista trabalhando sozinho poderia enxergar mais que uma
autarquia inteira? Carreirismo e orgulham cegaram quem deveria estar de olhos
sempre abertos.

&lt;p&gt;
Outro aspecto é o baixo (ou inexistente) estímulo à delação e à detecção de
fraudes. Note que estamos falando de EUA, não de Brasil. Markopolos cita uns
quatro ou cinco casos de pessoas que "sopraram o apito" e acabaram arruinadas,
no ostracismo, ou foram agredidas.

&lt;p&gt;Os programas de delação premiada do governo, embora
prometam recompensas potencialmente vultosas, dependem de decisões
discricionárias que na prática são quase sempre negativas. O número
de recompensas pagas pelo SEC em toda sua existência se conta nos dedos de uma mão, e o valor
monetário total mal compraria carro popular.

&lt;p&gt;
Estes fatos encerram uma lição interessante. Sendo portador
de más notícias, o lance é lucrar em cima delas e nada mais. Tentar avisar a
turba é perda de tempo e fonte de incomodação.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/markopolos.php</guid><pubDate>Sat, 28 May 2011 00:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Esquilos (crônica)</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/esquilos.php</link><description type="html">&lt;i&gt;Esta crônica não foi escrita por mim. O autor, que não quer ser identificado,
foi gentil em me dar permissão de reprodução da mesma. O pano de fundo histórico
é o estouro da bolha ponto-com seguido do ataque às Torres Gêmeas -- uma época
terrível para quem trabalhava com tecnologia, teve amigo que chegou perto
de passar fome. Hoje isto tudo soa distante como um sonho ruim, mas uma nova
bolha está se formando...&lt;/i&gt;

&lt;p&gt;
&lt;i&gt; A quem interessar possa: 007e9d5e341e979dfec2fec830a0b6e0&lt;/i&gt;

&lt;p&gt;
Estive me corroendo na cama hoje de manhã, pensando nas famosas frases que eu já ouvi esse ano (e algumas ano passado também), começando pela clássica:

&lt;p&gt;
&lt;b&gt;"Não ligue para nós, nós te ligaremos depois."&lt;/b&gt;

&lt;p&gt;
Nunca imaginei que ouviria isso, mas rolou. Tudo isso para ganhar uma merreca como professor.

&lt;p&gt;
Sinais dos tempos, hoje eu imagino o seguinte fictício diálogo (detalhe, não quero dizer que isso rolou comigo, apenas estou pegando a linha de racioncínio "emprego"):

&lt;p&gt;
Anúncio: "Precisa-se de programador QUX"

&lt;p&gt;
[autor] Estou aqui para o cargo de programador QUX.
&lt;br&gt;
[gerente] Hmm vejo aqui você é formado pela universidade Foo Bar...
&lt;br&gt;
[autor] Sim, eu tenho formação acadêmica e estou a caminho de um mestrado (não sei porque esse idiota não percebe que ninguém precisa de curso superior para programar em QUX...)
&lt;br&gt;
[gerente] Pois é, mas estamos exigindo que a pessoa seja formado em Física em Harvard e que tenha feito pelo menos 5 anos de estudos teóricos e práticos sobre o modelo padrão e teorias não convencionais da física de partículas no CERN.
&lt;br&gt;
[autor] Mas só para programar em QUX? Qualquer macaco programa em QUX!
&lt;br&gt;
[gerente] Pois é, mas nesse mundo globalizado e antenado, depois do 11 de setembro, as pessoas precisam se qualificar mais, o mercado está exigente...
&lt;p&gt;
Fuck off! Nada como desvalorizar uma pessoa e duas profissões.

&lt;p&gt;
A outra é clássica, famosa cortada... "Eu te ligo depois..." Hmm melhor parar por aqui, isso vai diminuir a minha auto-estima. Tá, mais um fictício diálogo para resumir a história:

&lt;p&gt;
[autor] Oi "grrrl"
&lt;br&gt;
[grrrl] Oi &amp;lt;autor&amp;gt;, tudo bom? Lembrei de ti quando passei na rua XYZ, como vai o curso de @#&amp;amp;*@?
&lt;br&gt;
[autor] Ah, legal, a rua XYZ. Ah, vou parar o curso de @&amp;amp;#*@&amp;amp;#, agora nao vai rolar...

&lt;p&gt;
Segue um diálogo de blah blah blah, ligo o meu modo "eu sou um cara legal", mais blah blah

&lt;p&gt;
[grrrrrl] Pois é, podíamos combinar de sair um dia...
&lt;br&gt;
[autor] Ah, vamos sim (não te acho tão interessante, mas...)

&lt;p&gt;
Num outro dia...

&lt;p&gt;
[autor] Então, vamos caçar raposas amanhã?
&lt;br&gt;
[grrl] Ah, não vai dar, vou receber esquilos silvestres vindos do Suriname amanhã. Vou levá-los para vacinar, você não ia querer ir comigo assim.
&lt;br&gt;
[autor] Não, imagina. (Pô, levar uma cortada de uma guria dessas? A que ponto eu cheguei!)
&lt;br&gt;
[grrl] Eu te ligo amanhã ou você me liga amanhã pra gente combinar algo, eu vou estar mais tranquila na quarta.
&lt;br&gt;
[autor] Certo.

&lt;p&gt;
E que complicado... E só para conversar, para ver se daria uma boa amiga (ou não &amp;gt;:)

&lt;p&gt;
Chega, esquilos estão invadido a minha casa! SOCORRO! 

&lt;p&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/esquilos.php</guid><pubDate>Thu, 26 May 2011 21:50:00 GMT</pubDate></item><item><title>A moda do reaça veio pra ficar</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/reaca.php</link><description type="html">Um interessante artigo do Marcelo Rubens Paiva,
&lt;a href="http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/a-moda-do-reaca/"&gt;"A moda do reaça"&lt;/a&gt;,
confirmou algumas impressões que eu vinha coletando nos últimos anos.

&lt;p&gt;
&lt;i&gt;Prima facie&lt;/i&gt; eu não gostei do artigo. Depois, analisando com um pouco mais de carinho,
descobri o que me desagradou: ele a) toma partido; b) não tenta explorar os porquês
desta nova "moda".

&lt;p&gt;Enfim, acho que fui rigoroso demais. Descontando os fatores acima, o artigo é relevante,
pois sopra o apito a respeito de uma tendência nova por aqui: o neoconservadorismo. Esse mesmo
que assola os EUA faz década.

&lt;p&gt;
Há algum tempo atrás, &lt;a href="http://epx.com.br/logbook/entries/reaca2.php"&gt;escrevi no meu blog sobre isto&lt;/a&gt;,
também começando a partir de um fato
observado: a comunidade de software livre a que pertenço, as pessoas com quem tenho contato e a quem
respeito, começaram a se encher o saco de Linux e de ler
Slashdot. Estão todos usando Mac e lendo Gizmodo.

&lt;p&gt;
Para quem não é do ramo, Slashdot e Gizmodo são sites de notícias a respeito de informática.
O Slashdot tem um foco mais plural, abordando muito questões de direitos humanos, propriedade
intelectual, ciência pura, e naturalmente software livre. Gizmodo tem mais foco em consumo:
a manchete típica é sobre o último iPhone ou tablet lançado no mercado. Totalmente alienado :)

&lt;p&gt;E assim muita gente se alienou, abandonando o
&lt;a href="http://epx.com.br/logbook/archive/2008/08/meia-oitos-e-nove-noves.html"&gt;sonho meia-nove&lt;/a&gt;
de usar Linux no desktop, extirpar da Terra as malvadas companhias lucrativas de software e fazer de Richard Stallman o ditador benevolente do mundo. O sonho acabou. Por quê?

&lt;p&gt;
Porque cansamos. Depois de muitos projetos conflitantes, que dividiam os esforços da comunidade;
depois de muitas decisões técnicas tomadas muito mais por ideologia e preconceitos do que por razões técnicas; depois de MUITA politicagem na "comunidade" brasileira de software livre, interessada unicamente em levar grana do governo e se autopromover; por tudo isso, cansamos.

&lt;p&gt;
No artigo eu extrapolei este esgotamento ao resto da sociedade. Por que algo aparentemente
besta como neoconservadorismo pode ter emergido nos anos 1990, nos EUA?
Simplesmente
porque as pessoas cansaram. Depois de quarenta anos de discurso em favor de minorias,
o cara pertencente à maioria "dominadora" acorda um dia e pensa: peraí, a minha vida
também não é fácil, e não tenho a simpatia de ninguém, que merda é essa?

&lt;p&gt;
Afinal, as décadas passam e os problemas ficam. Os palestinos continuam brigando,
as mulheres continuam querendo anéis de noivado com diamantes,
as diferenças relativas entre regiões continuam, o GNOME e o KDE
continuam trocando farpas, o Linux continua sem desktop que preste, e as pessoas
estão (na média) mais infelizes que em 1960. Pra que tanta luta, então?

&lt;p&gt;
É claro que a luta não foi em vão. O mundo está melhor hoje do que em 1960. Só que
os discursos de luta precisariam se atualizar. Mas eis o problema: eles não se
atualizam; eles acabam se radicalizando e finalmente morrem, não raro sem terminar
sua missão, e dando lugar às antíteses.

&lt;p&gt;
Como no Brasil essas "ondas" sempre chegam com 20 ou 30 anos de atraso, ousei dizer
que o neoliberalismo e o neoconservadorismo não tinham "vindo com o FHC mas felizmente
passado com o Lula". Pelo contrário, estavam justamente aportando em terra brasilis.

&lt;p&gt;E aí está, o reacionário voltando à moda.

&lt;p&gt;E digo mais: vai ficar tão na moda
que sujeitos como eu, tachados de "reacionários" nas últimas duas décadas apenas
por não terem abraçado a moda do politicamente correto de esquerda, 
acabarão tachados de indecisos ou de comunistas.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/reaca.php</guid><pubDate>Wed, 25 May 2011 15:50:00 GMT</pubDate></item><item><title>Abandonware festival!</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/abandonware.php</link><description type="html">Today I did some janitoring in my Web site repository, and found
several pieces of old software. Things that I don't have time and/or
interest in developing anymore. 

&lt;p&gt;Some items had no references from other
site pages, so they were effectively unreachable, since search engines
wouldn't find them.

&lt;p&gt;
It is a pity that some projects end up like this, but it happens.
Priorities change, things that were cool or important become moot.

&lt;p&gt;I kept
this old software around because there is always a (very slim) chance of
ressurecting some project, or, more probably, I could need a good example
of working code.

&lt;p&gt;
In the past, I was not that cautious, and I regret that. I miss even
some spreadsheets I did (the most regrettable loss of this kind
was a subwoofer enclosure calculator). No matter how old or how
obsolete technology they use, every software represents a huge
amount of condensed knowledge, which is important to preserve.

&lt;p&gt;Sometimes we are iconoclasts, we destroy things to bury the past
or we "burn bridges" to show our commitment to the bright new future.
Let's wipe that Java application because Python is the future! Ten years
later, Android is on the news...
(Personally, I have sworn off C++
three times in my life, only to become involved in some C++ project
not much time later.)

&lt;p&gt;
Fortunately, it is easier to preserve software and memories
nowadays. There are DVD-Rs and there is the "cloud". I put five 
"abandonware" projects in the cloud (Gitorious), and a sixth one was
already available in Maemo.org.

&lt;p&gt;
Projects put in abandonware status are:

&lt;p&gt;
&lt;b&gt;BSCALL&lt;/b&gt;: a Black-Scholes calculator for Maemo. It was developed
for N800/N810. Repository is at
&lt;a href="https://garage.maemo.org/projects/bscall/"&gt;https://garage.maemo.org/projects/bscall/&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
&lt;b&gt;PAIMORSE&lt;/b&gt; A Morse module for Python, with OS X and Linux audio backends.
The CoreAudio and Linux backends actually generate audio in real time, they
don't use that cheap volume on/off technique to play Morse. Repository is at
&lt;a href="https://gitorious.org/paimorse"&gt;https://gitorious.org/paimorse&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
&lt;b&gt;TARIFADOR&lt;/b&gt;: An Internet billing system. It is heavily based on "standard"
Linux technologies like LAMP, iptables and scripts. But the core traffic sniffer,
based in libpcap, is written in C++ for maximum performance. Actually, I sold
several copies of this. 
Repository is at
&lt;a href="https://gitorious.org/tarifador"&gt;https://gitorious.org/tarifador&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
&lt;b&gt;LUCA&lt;/b&gt;: A general ledger software based on Turbogears. It is quite
complete, and uses some program-generation techniques to avoid duplicated
code. Too bad that the chosen Web framework is "out" nowadays... Repository is at
&lt;a href="https://gitorious.org/luca-ab"&gt;https://gitorious.org/luca-ab&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
&lt;b&gt;JS-CL5&lt;/b&gt;: A small Javascript library inspired on Clipper 5 functions.
Things like date manipulation were very easy to do in Clipper 5, and I always
found them unnecessarily complicated in most modern languages.
Repository is at
&lt;a href="https://gitorious.org/js-cl5"&gt;https://gitorious.org/js-cl5&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
&lt;b&gt;Distributed computing examples&lt;/b&gt;: This code was meant to be used in
classroom, so students could get quickly aquiainted with Sockets, Sun RPC etc.
and use those examples as starting point for more complex services.
Most comments are in Portuguese.
Repository is at
&lt;a href="https://gitorious.org/prd-progs"&gt;https://gitorious.org/prd-progs&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/abandonware.php</guid><pubDate>Sat, 21 May 2011 00:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>Web Morse player has been released</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/morseaudioapi.php</link><description type="html">Web Morse player is exactly what the name says: a Web app that
encodes a text into Morse and is capable of playing "dit-daat-daat" audio.
Page is &lt;a href="http://epx.com.br/morse/"&gt;http://epx.com.br/morse/&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
There are many other online apps like that in the Web, based
on Java or Flash or whatever.  The thing that makes &lt;i&gt;this&lt;/i&gt; app different is employment of 
&lt;a href="http://chromium.googlecode.com/svn/trunk/samples/audio/specification/specification.html#DynamicsCompressorNode-section"&gt;HTML5 Audio API&lt;/a&gt;.

&lt;p&gt;
This API is not widely deployed yet; the only supporting
production browser (I know of) is Chrome, and you need to activate it in about:flags
page. It inherits implementation from WebKit, so other browsers like Safari are
expected to offer this feature soon.

&lt;p&gt;
Being experimental means that Audio API could make your browser unstable etc. The only
problem I noted is some audio interference and clicks when browser is doing some
other processing, like scrolling page, opening another tab etc.

&lt;p&gt;
High-level Morse code is based on &lt;a href="https://gitorious.org/paimorse/paimorse"&gt;PaiMorse&lt;/a&gt;.
Sound quality is more or less the same as CoreAudio backend of PaiMorse, even though Web Morse uses a simpler form of playing
sounds (scheduling pre-calculated sound buffers) while PaiMorse with CoreAudio generates
audio in real time. (Audio API supports the latter too, so we could change that if it means
better quality in high WPM.)

&lt;p&gt;
Web Morse is open source; Javascript code is not compressed nor obfuscated. Any
developer that is curious about implementation just needs to dig source code.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/morseaudioapi.php</guid><pubDate>Sat, 14 May 2011 23:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>Article about HTML5 Audio API</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/audioapi.php</link><description type="html">I have begun to port &lt;a href="https://gitorious.org/paimorse/paimorse"&gt;PaiMorse&lt;/a&gt;
to the Web. Taking a look on my options to manipulate audio in a Web app, I stumbled
upon &lt;a href="http://chromium.googlecode.com/svn/trunk/samples/audio/specification/specification.html#DynamicsCompressorNode-section"&gt;Audio API&lt;/a&gt;. It is not widely deployed yet, but it is very powerful and promising.

&lt;p&gt;
There are a number of powerful demos for Audio API, but not a simple tone-playing
application or tutorial, so I decided to write a tutorial based on my first tests.

&lt;p&gt;
Article can be found at &lt;a href="http://epx.com.br/artigos/audioapi.php"&gt;http://epx.com.br/artigos/audioapi.php&lt;/a&gt;.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/audioapi.php</guid><pubDate>Sat, 14 May 2011 15:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>Alterações no TaxMan</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/taxman_desp.php</link><description type="html">O &lt;a href="http://epx.com.br/taxman/"&gt;TaxMan&lt;/a&gt; é um aplicativo para cálculo de
imposto sobre renda variável (operações em bolsa), que desenvolvi para meu uso.
Depois de dois anos sem nenhuma alteração, ele recebeu duas melhorias: 
discriminação de despesas de corretagem, e mudanças na
importação/exportação de arquivos.

&lt;p&gt;
A discriminação de despesas agora segue mais fielmente a forma de uma nota de corretagem
padrão. Assim, em vez do usuário ter de somar as despesas e digitar num único campo
(como era antes), há um campo para cada tipo de despesa. Basta digitar exatamente o que
está na nota, e o sistema calcula o total.

&lt;p&gt;
O IRRF também ganhou seu próprio campo, embora ele não conte como despesa de aquisição
nem influa no valor total da nota de corretagem. Mas é interessante digitá-lo pois ele
pode ser compensado no próximo DARF. (O &lt;a href="http://epx.com.br/taxman/"&gt;TaxMan&lt;/a&gt; ainda não calcula esta compensação,
mas isto deve ser implementado num futuro próximo.)

&lt;p&gt;
Na importação de arquivo, o &lt;a href="http://epx.com.br/taxman/"&gt;TaxMan&lt;/a&gt; agora faz uso da API HTML5,
por ora implementada no Chrome, no Firefox e no Safari 6 (este último ainda não lançado). A API utilizada antes era 
parecida, mas só funcionava com Firefox.

&lt;p&gt;
A exportação de arquivo aboliu o uso de extensão do Firefox. O método adotado
simula um "download" de arquivo, que o usuário depois pode renomear e armazenar onde
quiser. O motivo da mudança é novamente a compatibilidade com mais navegadores
além do Firefox. (Além disso, me poupa de manter uma extensão do Firefox.)

&lt;p&gt;
A quem interessar possa,
o truque de simular download local foi copiado do
&lt;a href="http://www.nihilogic.dk/labs/canvas2image/canvas2image.js"&gt;
módulo Javascript 'canvas2image'&lt;/a&gt;. No futuro o HTML5 deve incluir recursos
de escrita de arquivos, mas não é o caso no momento, o que nos obriga a utilizar
este truque sujo :)</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/taxman_desp.php</guid><pubDate>Thu, 05 May 2011 01:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>Antidote: an open-source IEEE 11073 library</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/antidote.php</link><description>In this article, we make a short introduction on IEEE 11073 standard and medical devices, and of course on Antidote library implementation.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/antidote.php</guid><pubDate>Tue, 26 Apr 2011 10:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Antidote: uma biblioteca IEEE 11073 de código aberto</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/antidote_pt.php</link><description>Neste artigo, faço uma introdução do padrão IEEE 11073, dos dispositivos médicos que o utilizam, e é claro sobre a implementação da biblioteca Antidote.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/antidote_pt.php</guid><pubDate>Mon, 25 Apr 2011 23:00:00 GMT</pubDate></item><item><title>Primeiro post na nova casa</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/init_pt.php</link><description>Primeiro post no livro de bordo, e os porquês de ter abandonado os blogs.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/init_pt.php</guid><pubDate>Fri, 15 Apr 2011 19:01:00 GMT</pubDate></item><item><title>First post in new home</title><link>http://epx.com.br/logbook/entries/init_en.php</link><description>First post in logbook, as well as an explanation why I have abandoned the blogs.</description><guid isPermaLink="true">http://epx.com.br/logbook/entries/init_en.php</guid><pubDate>Fri, 15 Apr 2011 19:00:00 GMT</pubDate></item></channel></rss>
